Batatas infelizes

22 de novembro de 2012
Ontem eu e meus coleguinhas queridos saímos mais cedo da aula de Ética, Estética e Comunicação por motivos de estar chata. Normalmente é a minha cadeira favorita, porque o professor divaga loucamente sobre as coisas da vida e eu acho isso divertido, mas ontem havia apresentações de trabalho, então quem se importa?

Como eu disse, saímos mais cedo, e não somente por a aula estar chata, mas também por nossas barrigas roncarem em uníssono. Corremos (sim, corremos) para o prédio 1, o prédio das comidas boas e gigantes e que compensam o alto preço que domina a faculdade, e escolhemos uma mesa. O que comeríamos já nos era óbvio: batatas fritas. Santas batatas fritas daquele prédio, hein. O preço não nos faz faltar dinheiro para voltar para casa e vem uma quantidade ignorante daquele conteúdo amarelo e engordurado.

Pedimos mais ou menos às nove horas (da noite, né), mas já havia se passado quase meia hora e nada das delícias chegarem. Então o jeito foi ir lá dar uma reclamadinha básica da situação, até mesmo porque os ônibus saem, a maioria, às dez horas. Teríamos então menos de meia hora para, em quatro pessoas, devorar enlouquecidamente as senhoras batatas fritas.

E foi exatamente isso que aconteceu: mal chegou o prato cheio, cheinho, cheião, que fomos logo nos atracando para cima das coitadas que nada tiveram de culpa para estarem ali, mortinhas, na nossa frente, e assim as devoramos como animais famintos. Aí essa devoração se deu do jeito da preferência de cada um, seja com maionese (eca), ketchup (mais ou menos eca) ou mostarda (muito eca). O que era comum para todos era a quantidade exagerada e absurda de sal. Uma delícia perigosa.

Comemos, nos empanturramos, enchemos a cara de Coca. Por último tivemos de ir quase que correndo para o paradão de ônibus, e tudo se seguiu na mais perfeita ordem. Peguei ônibus, fui para casa, fiquei na internet, fui dormir.

Aí acordei. Acordei com uma sensação estranha, como se algo precisasse urgentemente sair de mim, como se eu estivesse grávida por todo o corpo (desculpa, não pensei em comparativo melhor). Permaneci na cama, com aquele mal estar que não me fazia entender o porquê. Achei então que se eu colocasse um travesseiro sobre a barriga e pressionasse fosse me causar algum alívio, mas nada fez. O que não me impediu de continuar todo o tempo com o travesseiro pressionado, ainda achando que talvez uma hora eu resolvesse melhorar daquela sensação por causa disso.

Enfim, fiquei tanto naquele lenga-lenga entre acordar direito e levantar, que, quando de fato levantei, eu corri. Para o banheiro. E - parte nojentinha - se foi toda a batata animal do dia anterior descarga abaixo. Mas não me bastou ter que acordar mal, tive que ficar desse jeito o dia todo. Quero dizer, não continuo parecendo que tenho bebês querendo sair de mim por todo o corpo, mas continuo com um mal estar bem chatinho.

E to passando o dia como uma velha sem dentes, à base de chás e bolachinhas e barrinhas de cereal.

Postado primeiro no meu Tumblr

Das coisas que eu jurava ter talento - circo

11 de novembro de 2012
Quando criança, a visão que temos de mundo pode ser algo bem bizarro, tanto por falta de informação (quem lia ou via jornal quando tinha 5 anos? por favor né), como pela maravilhosa excessiva imaginação, fatores esses quais fui muito bem agraciada quando menor. Pensando nisso, resolvi fazer uma série de posts com os talentos que eu jurava ter, mas que não batiam nem um pouco com a realidade.

Circense
Eu sou uma admiradora à distância do circo. Isso pode soar estranho, mas é verdade. Não lembro uma vez de ter ido assistir algo relacionado a isso que não fosse na escola. Mesmo assim, sempre brilharam meus olhinhos perante a ideia de saltitar e pular e rolar e fazer coisas mil sem cair. Achava (e ainda acho) aquilo uma maravilha, que nada podia ser melhor (lembrando que, tudo o que eu sabia de circo, sempre vi através da tevê e afins). Aí olhava aquelas pessoas abrindo spacatto a metros de altura, como se não houvesse amanhã, aquela gente com roupa colorida e cara pintada, em cima de uma perna de pau, fazendo tudo aquilo. Ai, coisa mais linda.

Quando eu me colocava no lugar de algum deles, eu pensava que facilmente morreria se tentasse fazer qualquer manobra daquelas, ou que pelo menos ficaria com qualquer parte dentro de mim quebrada (não tinha muita noção de corpo humano e suas funções). Mas tinha uma coisa, uma coisa que eu pensava ser a menos dificultosa, talvez não tão brilhante quanto saltar por cima de quatrocentos elefantes encarreirados apenas com um impulso, mas que ainda fosse tão emocionante quanto.

Fitas. Fitas coloridas. Ah, como eu sempre amei aquilo. E era o que eu facilmente conseguia me imaginar. O que pode ser tão difícil em se dependurar em fitas? Eu já era uma macaca por natureza, que subia em qualquer árvore que via pela frente, o que seria de diferente uma fita se não uma árvore mais flexível e colorida?

Não que eu pensasse em realmente um dia bater na porta (do treiler) dum circo e dizer "ô moço, tem vaga feminina infantil pra corda? eu tiro boas notas e sou boa aluna, deeeixa, pufavô?", mas ficava pensando no "e se?". Mesmo assim, treinava do jeito que dava. E, aqui, respeitável público, apresento o meu lado B, a minha face pestinha que poucos conheciam: eu treinava com as cortinas do quarto dos meus pais (ainda bem que eles não leem meu blog). Eu era leve como pena, magricela como bicho-pau, a versão real da Olívia Palito. Não fazia a menor diferença ter aquele peso extra sobre a cortina, então subia até bater a cabeça no teto, e descia sempre de alguma maneira diferente. Usava a cortina como meio de transporte para subir até o topo do guarda roupa, onde eu me sentia rainha daquele lugar. Ou fazia algo à la Tarzan, já que naquela época havia duas camas no quarto deles (uma reserva pra eu e minha irmã, caso quisséssemos por algum motivo dormir lá), pulando de uma cama para outra. 

SIM, eu fazia isso. Todos os dias, quando meus pais não estavam presentes. E, enquanto eu me achava A guria do circo, também não tinha a menor noção de que estava em fase de crescimento e que aquela cortina, hora ou outra, não iria mais aguentar o meu peso pena e algum dia iria se partir. (E aconteceu isso, mas pus a culpa toda numa guria mais velha que eu que tinha aparecido lá em casa, justo naquele dia. Tadinha.)

A aparência importa sim

5 de novembro de 2012
É sempre a mesma coisa quando eu vou para a Feira do Livro: nunca encontro o que eu quero. O motivo para isso não está na (falta de) variedade de livros, muito menos na quantidade. Essas duas coisas têm lá em tamanha proporção para abastecer boa parte da cidade¹, sedenta por histórias e novas aquisições. Mesmo assim, viro e reviro aquelas tendas de ponta-cabeça e nada sai.

Por quê?, você, caro leitor, perguntaria. Numa resposta simples e prática, respondo: sou pobre. Não paupérrima a ponto de me confundirem com mendiga ou criança de sinal (embora a magreza fruto de meu metabolismo rápido possa indicar semelhança), não, não chego a isso. Sou pobre mediana, como grande parte da população e, assim sendo, não me dou ao luxo de gastar horrores com livros. Tenho bibliotecas à mão como pronto-socorro literário, então gasto o dinheiro que tenho com coisas de urgência maior (comida na faculdade ou apontadores fofinhos, por exemplo).

Enfim, sendo pobre, vou na parte que me é destinada, que na verdade é todo e qualquer lugar onde esteja escrito um "promoção!", "saldo de livros", ou o maravilhoso "um é tanto, dois é um tanto e pouquinho". Essas caixas de promoções vem separadas, sempre na margem lateral do estande, bem apagadas para os lançamentos brilharem e serem vendidos. Mas não me importo, apenas não levanto a cabeça para o que está em voga e mantenho foco nas caixas escondidas. Aí, meus amigos, é hora de garimpar. E cês sabem o que é um garimpo, né? São horas tentando procurar um tesourinho que talvez nem exista, e se existir, pode estar lá no fundinho, atrás daquele livro de saúde dos anos 80 que ninguém quer.

Aliás, a maioria desses livros de promoção são os que ninguém quer. As pobres caixas alheias aos estandes estão cheias de coisas repetidas que obviamente não tiveram boa saída ou daqueles livros de bem estar que falam sempre as mesmas coisas (como o programa Bem Estar das manhãs da Globo, by the way). Quando tem alguma literaturazinha perdida no meio, é justo aquela que não faz "meu tipo". Aí tem coisas espíritas, auto-ajuda, e capas feias com títulos feios. Esses últimos são na verdade os que mais me desencantam.

Bem, antes de qualquer coisa, entenda isso: eu não me preocupo se a capa tá rasgada, se tem mancha de café, se já foi restaurado mais de dez vezes. Isso é a coisa mais normal do mundo, ainda mais para uma frequentadora de bibliotecas com estantes cheias de pó no lugar das livrarias (que cheiram a livros novos). Então, não ligo se o livro tá todo acabado quando eu o quero para ler. Até mesmo porque, um livro que, agora, é todo caidinho, velho, marrom de tanto de ser folheado, e mesmo assim tem todo seu charme (lembrando que ainda falo na parte visual de toda a questão), quando recém feito, provavelmente deve ter levado à loucura quem o tivesse em mãos. Ou seja, não é questão da condição que se encontra o livro (eu tinha me interessado num livro de 1955 sobre a Alemanha nazista e parecia que eu iria morrer ali mesmo se inalasse mais alguns segundos aquela poeira) e sim de como foi feito.

Mas mesmo vendo zilhões de coisas desinteressantes por onde eu procurava, não desisti e caminhei a tarde inteira na Feira. Acho até que visitei todas as bancas que lá tinham. Aí, numa delas (que eu não lembro o nome agora), meus olhinhos brilharam. Tinha edições com umas carinhas mais decentes. E o preço mais decente ainda. Deu então de eu bater os olhos nuns livros cujos autores e títulos nunca tinha ouvido falar na minha vidinha, mas sendo as capas bonitas, levei com muito gosto (na verdade verdadeira da coisa, as capas nem são tão bonitas assim - bem simples até -, mas achei interessante o recorte que tinham). Assim pelo menos não voltei pra casa de mãos abanando.

Alguém já ouviu falar de algum desses nomes? Porque eu não. E esse é o rabo majestoso do Hector s2

Moral da história: eu procurava por livros clássicos que estavam na minha lista de livros-que-tem-na-biblioteca-mas-quero-ter-pra-mim. Caminhei, caminhei e caminhei, não achei nenhum, então levei qualquer capa-bonita que apareceu na frente. Melhor eu me espertar e procurar em sebos que ganho levo mais.

¹: eu não faço a mínima ideia de proporção, mas tenho certeza que a quantidade de livros que tinham lá não abasteceria nem metade de uma Porto Alegre.

A aranha

1 de novembro de 2012

Calor insuportável. Pessoas tomando sorvete como se fosse água, gente se abanando, todo mundo afastado. Quanto menos calor humano melhor. Não, quanto mais sombra melhor. E sombra era o que eu não encontraria caso continuasse com a ideia de seguir o caminho até em casa à pé e não entrasse naquele ônibus que recém havia chegado na parada.

Entro, sento no ônibus, abro meu livro. Estou lendo Lolita, a tão polêmica obra de Nabokov. Leio um trecho, faço umas manobras com as mãos a fim de pegar a água na bolsa sem bater na mulher ao lado e não derramar nada em cima do livro emprestado da biblioteca. Entre um trecho aqui, um gole acolá, vou sacolejando dentro do coletivo.

"(...) Já haviam digerido o sorvete, estava à espera de uma grande refeição e já começava a impacientar-se". Nesse trecho, justo nesse trecho, eu reparo um movimento estranho do lado da minha perna. Ignoro e releio a mesma parte de antes. O pequeno vulto se remexe e então me vejo obrigada a descobrir o que está acontecendo. Quando abaixo minha cabeça, ela está lá. Subindo, devagar e ao mesmo tempo desesperada, à procura de algo que não saberia definir. Entro em pânico, vejo suas garras alongadas à frente da pequena cabeça se movimentando sem parar, tateando a vítima. Ela sobe, eu me desespero. Ela prossegue o caminho, eu vejo a morte. E, no próximo passo que ela der, assim pensou eu, mato essa aranha sem dó. Mas não tinha como. A mulher ao meu lado era espaçosa, eu tinha uma bolsa entre meus braços me imobilizando e ao mesmo tempo não queria fazer escândalo. É só uma aranha, diriam as velhinhas. Mas eu sei que não era só mais um aracnídeo que povoa esse mundo em cada entranha onde possa fazer ninho. Claro que não é somente isso. Todas têm alguma origem demoníaca, fazem parte de alguma convenção onde o veneno mortal lhes é distribuído logo ao nascer. E eu tinha um  desses seres de outro nível, de outro mundo, na minha frente.

Não podendo matá-la, fiz o óbvio de assoprar tão forte, como o lobo mau contra a frágil casinha de palha,  a ponto de fazer voar a aranha assassina. Me vi livre, mas ainda não me senti confortável. Havia perdido minha inimiga de vista, como poderia sossegar? Conferi meus braços, pernas, a lateral do ônibus. Aí eis que ela surgiu. Toda maligna, triunfante, subindo em um teia fina até minha bolsa. Entrei em desespero. Onde eu a ponho? Como eu a mato? Balancei a bolsa, mas não adiantava muita coisa. Ela insistentemente continuava a subir e alçar suas garras cada vez mais alto. Então, de súbito, tive a genial ideia de por no chão aquilo em que a infeliz se agarrava, fazendo a pequena monstra também se deitar ao solo do ônibus. Dito e feito. Lá estava ela, agora em desvantagem, por estar perto de meus pés. Em outro momento eu sentiria pena, mas ali, dentro daquele ônibus, me senti vitoriosa ao cobrir a cabeça da aranha com a sola de meu All Star. E não retirei meu pé do lugar até a hora de descer.

Selo (que não é de carta)

25 de outubro de 2012
Não costumo postar aqui no blog nada que seja meme ou selo, ou qualquer coisa que seja assim parecido, por motivos de: não receber. Sério, acho legal essa ideia de fazer algo que mobilize a responder questões em conjunto e tal. Mas acho que como sou um tanto antissocial até virtualmente, fica difícil alguém se lembrar de mim para movimentos desse tipo.

Enfim, fiz esse parágrafo acima enrolando para dizer somente no segundo (que aqui está) que recebi um selo da Andressa (Andressa, muito obrigada <3), que consiste em responder três (03) (t-r-ê-s) perguntas e depois indicar 10 blogs. Não sei se tenho quantidade suficiente de blogs em mente para repassar a ideia, mas as perguntas ficam respondidíssimas aí abaixo:

Sua paixão (não tem interrogação, mas creio que seja pergunta) 
Só de dar uma bisbilhotada por cima do meu blog dá para perceber meu amor por gatos. Sim, é uma paixão insana, arrebatadora, que infla em meu peito, domina meu corpo e alma, e que me faz sair como uma louca varrida atrás de qualquer gato que vejo por aí. Sim, estou falando dos felinos e não ouse rir do que estou falando. É mais forte que eu.

Tenho (ou tinha) uma foto de quando eu era pequena em que estou sentada no chão, de cabelos espevitados, com roupas folgadas e de olhos completamente vidrados numa gata de olhos azuis e pelo bem tratado. Não achei mais a foto em lugar nenhum, mas se fosse definir essa paixão em foto, aquela seria perfeita para a ocasião. Detalhe curioso sobre essa gata de olhos azuis da foto que eu disse: era da vizinha da casa aos fundos da minha (mas não no mesmo pátio, obviamente), e ela ficou "perdida" lá em casa durante uma semana. Mwhahaha.

Se você ganhasse uma viagem, para onde iria?
Olha, se eu ganhasse uma viagem, essa com certeza seria uma espécie de pé na bunda para fora de casa para não mais voltar. Seria o início do Fantástico Mochilão Da Marina - que percorreria, basicamente, esse mundão quirido de meu Deus (só não faria muita questão de ir para lugares onde mosquitos apresentam maior população que a humana). Ooou seja, (quase) qualquer lugar me serve. Mas começar por alguns países da Europa não seria nada mal, hein.

Não, mentira, eu não iria para os Pólos nem navegaria de barquinho em alto-mar. Acho que iria para o Egito conhecer algumas múmias primas da Vera Fischer, depois Alemanha (Berlin), Itália, Polônia (Cracóvia, pra pesquisar também das parentadas de lá), Irlanda, faria caminho pra Meca, pra Santiago de Compostela, e pra onde mais minhas pernas e bolso aguentariam.

Quem você levaria para uma ilha deserta?
Essa pergunta me cheira a Verdade ou Consequência, ou qualquer brincadeira que envolva te enrubescer quando menor, rs. Sei lá quem eu levaria, talvez a minha irmã. Ela é bem parecida comigo em vários sentidos, somos frescas moderadas.

Mas vamos discorrer sobre essa pergunta: o que mesmo se faria numa ilha deserta? Porque para mim isso seria algo do tipo "vamos morrer lentamente aqui, meu bem". Mas nem pensar que me refugiaria numa ilha, nem na hipótese de estar sendo perseguida por macacos alienígenas vindos diretamente de Plutão querendo vingar o rebaixamento e colocando a culpa toda na minha pessoa. Essa coisa de ilha/mar/areia nas unhas não é comigo. Eu nem gosto de praia, eu nem sei nadar. Com essa pergunta eu só consigo imaginar as cenas do Náufrago, com a diferença que o Wilson seria a minha irmã.

Estou digitando nesse momento da minha ilha particular, apenas VIP's, bjs.

Os blogs: Crying Lightning, Vírgula Assassina, Doce Ilusão, Sem querer me intrometer, Limbo Criativo, I Want You Paradise, A Vida em Letras (...). Não sei mais quem indicar, então deixo aberto para quem quiser fazer esse mini-questionário. <3

Organização seletiva

19 de outubro de 2012
Nunca fui adepta de vídeo-games, me julguem.

Sou desorganizada desde que me conheço por gente. Brincava, jogava tudo no chão sabendo que aquelas coisas algum dia deveriam voltar para o mesmo lugar de onde vieram mas, oh!, nunca voltavam e eu não fazia a menor questão disso (no outro dia os cômodos da casinha já estariam montadinhos, sinônimo de mais tempo para brincar). Por causa disso, de nunca arrumar minhas coisinhas, sempre me perdia entre aquela  mistureba que ia de cabeça de boneca a temas de aula que se perdiam por aí. E de bagunça em bagunça, de não achar um brinquedo aqui, outro ali, acabei por perder praticamente todas as minhas ferramentas que utilizava para contar as histórias que inventava com minha irmã.

Apesar disso, sempre tive um lado devo-arrumar-porque-é-meu, fruto do egoísmo que me acompanha há um booom tempo (minha irmã que o diga). Então, os meus brinquedos, aqueles que eu não compartilhava com a Natalia ou que eu apenas intitulava É MEU! (mesmo não realmente sendo) eu organizava, guardava, cuidava. Mas essa organização não se dava só com m e u s brinquedos, porque né, acho que não sou de todo tão ruim assim. Eu tinha dias e dias, vontades e vontades. As vezes decidia que arrumaria todas as bonecas (as pouquíssimas que eu tinha - eu não gostava de bonecas), ou então que arrumaria os bichinhos de pelúcia, meus e de minha irmã. Também tinha as arrumações temáticas do tipo "hoje acordei com vontade de ter tudo rosa", aí fazia um Cantinho Do Rosa no quarto com direito a tudo que fosse daquela cor. Coisas assim.

Então cresci, virei essa criatura que sou hoje e continuo com essas mesmas características de ontem. Meu quarto é uma zona, a escrivaninha do computador é uma zona,  a sala, o chão, minha bolsa, meus escritos nos papéis também. Até me impressiono que nenhum desses objetos até hoje não tenha criado vida só pra me xingar e me dizer que coisas inanimadas também têm dignidade e precisam de um lugar saudável para morar. Mas como quando pequena, também tenho o meu outro lado, o lado que seleciona o que devo arrumar ou não.

A começar pelo que eu escrevo:  é uma desordem as minhas anotações no papel, mas pelo menos os papéis em si são super organizados. Eu usei fichário durante todo o colégio (menos de 1ª à 4ª série, porque não podia), então tenho todas as folhas de cada matéria separadas por ano, e também todas as provas e trabalhos. Minhas folhas da faculdade eu organizo em pastas, uma por semestre. Até na hora de lavar louça eu tenho minha organizaçãozinha: separo por materiais (plásticos, metais, vidro etc) e por tipos (talheres, copos, potes...). Meu quarto, como já falei, é uma zona, mas onde ficam meus pertences estimados permanece intacto.

Eu não saberia direito como "classificar" essa seleção. Pode ser birra, pode ser preguiça, pode ser qualquer coisa. Mas acredito que pode também ser uma falta de disciplina mesmo, me faltando é ânimo pra fazer um rotina organizada. (Pensei nisso enquanto lavava a louça da manhã).

Rapidinhas sobre coisas aleatórias

17 de outubro de 2012
Já pode me chamar de tia
Tenho uma coisa para falar: sinto cada vez mais que minha velhice já chegou faz tempo,  mas que ainda falta o corpo ficar sabendo disso para começar a envelhecer também. Tudo bem que eu nunca fui a mais animada do meu grupo de amigos, mas noto que estou cada vez pior: nem tenho mais grupo de amigos.

A maior diversão que consigo ter as vezes é baixar filme e ver sozinha em casa, comendo qualquer coisa (as vezes essa "qualquer coisa" chega a ser granola! por favor, ainda não me internem). O meu único amigo que eu tinha era um gato (sim, felino). E que morreu. Atropelado. Esta minha situação está cada vez mais deprimente. Onde se encontra essa fonte da juventude que faz todo mundo ficar a fim de ir em três festas por noite, vomitar até às 6 e depois ir para a aula? Não que eu queira que isso aconteça comigo, mas se me convidassem agora para sair é certo que eu daria qualquer desculpa do tipo "to gripada", "to com dor de cabeça" ou então "ah, to fazendo trabalho" e ficaria encarando a parede enquanto o download não termina.

observação: as vezes quando eu digo que estou com dor de cabeça eu realmente estou com dor de cabeça. Isso também vale para o estou gripada e o ah, to fazendo trabalho. É sério, ok.

Receita de bolo de Trakinas!
Uma maravilha que eu descobri hoje: bolo de trakinas é uma maravilha! Segue a receita:

Faça um bolo de chocolate;
Divida-o ao meio;
Coloque trakinas nesse meio;
Faça uma cobertura maravilhosa de chocolate.

Pronto, eis um bolo de Trakinas!

Bora escrever no NaNoWriMo
Uma coisa que eu descobri recentemente é o NaNoWriMo, que é a sigla em inglês que corresponde a mais ou menos "mês nacional de escrever um livro", organizado lá nos Estados Unidos, mas que acontece em nível mundial, incluindo o Brasil. Bem, o grande objetivo disso tudo é motivar aquelas pessoas que sempre tiveram vontade de escrever algo mas que, por falta de tempo ou disciplina, acabam sempre adiando. Quando eu era pequena (lá pelos 8, 9 anos) já pensei em "nossa, quero escrever um livro e ficar famosa e dar autógrafo na Feira do Livro de Porto Alegre e ser ryca" mas obviamente já tirei esse pensamento da minha cabeça, pelo menos a parte que diz respeito a dar autógrafos e ser ryca e famosa.

Mas, mesmo sabendo que não tenho ideia nem motivação suficiente para fazer um livro (ou ao menos algo que se pareça com uma história de verdade), dá uma coceirinha nos dedos só de imaginar milhares de pessoas escrevendo simultaneamente qualquer coisa. Ah, vale lembrar que o NaNoWriMo, mais que uma motivação para escritores de gaveta, é um meio de disciplinar as pessoas a escreverem. Não importa o que estão digitando, a princípio, a moral é atingir os 50.000 caracteres digitados. Para isso, é necessário uma enorme dedicação para conseguir escrever até a data limite, que é UM MÊS. Bom, se alguém achou isso meio confuso mas ainda assim sentiu algum interesse, o blog Nem Um Pouco Épico tira as dúvidas mais comuns sobre o evento. Estou criando coragem para participar.

Ensaio sobre a cegueira (isso não é exatamente uma resenha)

15 de outubro de 2012
Eu tenho uma certa dificuldade em escrever sobre livros. Sendo mais específica, em fazer resenhas. Aprendi o passo-a-passo no segundo ano do colégio, depois no terceiro, também na faculdade (em duas cadeiras). Na teoria, eu sei como fazer mas, quando tento colocar na prática, não sai coisa nenhuma. Fico presa, estagnada, sofrendo da "maldição da folha branca" como se estivesse desaprendendo a escrever. Basicamente isso. Até gostaria de relatar mais sobre o que leio, mas aí penso que existem blogs que escrevem resenhas tão maravilhosamente bem que fico com vergonha de postar algo que me deixará enrubescida perto dos outros. Tomo por exemplo o livro O morro dos ventos uivantes. Li, me apaixonei completamente pela história, pelos personagens, por tudo que o envolvesse. Então, toda serelepe por esse amor-miojo pelo livro, abro o Word, digito o título da obra, e paro por aí. Levo uma semana (literalmente!) para decidir se começo escrevendo uma resenha como-deve-ser do livro ou se apenas falo sobre a minha mais recente paixão para com cada personagem. Enrolei, enrolei, e não fiz nada. E provavelmente não farei.

Demorei tanto para escrever que larguei tudo de mão e decidi iniciar nova leitura. O escolhido foi Ensaio sobre a cegueira do José Saramago, que prontamente coloquei em mãos ao ver na biblioteca da faculdade. Quando eu era pequena me arrisquei em ler As intermitências da morte, do mesmo autor, mas abandonei logo nas primeiras 50 páginas. Talvez porque fosse complicado de entender, não só pela escrita lusitana, mas também por tratar assuntos que envolvessem Governo, Militares e Política. Crianças geralmente não curtem/entendem Governo, Militares e Política. Mas então, como eu ia falando, comecei a ler Ensaio Sobre A Cegueira. Ainda não terminei (estou nas páginas finais), mas acho que já posso fazer um texto sobre isso. E isso não é exatamente uma resenha.
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Trânsito normal, carros no sinal fechado aguardando abrir. Abre. Todos os carros avançam, mas um fica. Pessoas se aproximam, indignadas por atrapalhar o caminho, o motorista abre a janela e profere as seguintes duas palavras: estou cego. Mas esse é apenas o primeiro dos que viriam a dizer isso. A partir daí, há uma sequência de pessoas que vão ficando cegas, sem mais nem menos, sem nenhum porquê nem explicação. Apenas se sabe que é uma cegueira branca (coisa desconhecida para a medicina) e que, provavelmente, é contagiosa (o que também é um mistério, como pode uma cegueira ser contagiosa?).

O Governo logo é alertado e, percebendo que esse mal desconhecido se alastrava cada vez mais, fez o que acreditava ser necessário para conter o contágio: inserir todos os infectados por esse misterioso véu branco numa quarentena. Claro, ninguém sabia o que era isso, o que significava que essa quarentena poderia durar uma semana (caso voltassem a enxergar, também misteriosamente), quatro semanas, quatro meses, quatro anos. Tanto faz, desde que o mal fosse cortado pela raiz. Uma vez, numa cadeira de Direito, meu professor disse que o desconhecido é o que dá medo. Vivemos numa sociedade razoavelmente bem organizada porque quase tudo está previsto, para quase tudo temos respostas, sempre tem alguém capacitado para lidar com as situações. Talvez medidas drásticas sejam um pouco melhor entendidas se analisadas desse ponto (entendidas, não realmente justificadas).

É então decidido ocupar qualquer espaço público para abrigar ("esconder" seria mais correto) essas pessoas contagiadas, porque, é sabido, aquilo aumentaria. A primeira pessoa a ser reclusa é o médico oftalmologista que havia avisado às autoridades dessa anormalidade. Sua mulher, mesmo que não cega, se finge de tal e adentra junto com o marido no carro que levaria ao hospício (abandonado, a melhor estrutura por enquanto para abrigar muita gente). Enfim, a partir desse ponto, aquele hospício lota de pessoas e a história do livro se passa quase toda dentro daquele lugar. E também é, a partir desse ponto, que a história fica "interessante".

Saramago, ao tirar os olhos dos personagens, nos faz enxergar o convívio humano de uma maneira diferente. A primeira coisa, e bem simples de uma primeira análise, é o fato de nenhum personagem ter nome. Nem a cidade, nem nada. Cada personagem pode ser um espelho de quem lê. O autor é quem narra, e os chama tal qual como qualquer um poderia chamar alguém, caso não soubesse o nome da pessoa e apenas a visse. Tem o "médico", a "mulher do médico", a "rapariga de óculos escuros", e por aí vai.

"Não tarda que comecemos a não saber quem somos, nem nos lembrámos sequer de dizer-nos como nos chamamos, e para quê, para que iriam servir-nos os nomes, nenhum cão reconhece outro cão, ou se lhe dá a conhecer, pelos nomes que lhes foram postos, é pelo cheiro que identifica e se dá a identificar." (Pág. 64)

O autor também discute sutilmente, enquanto deixa a narrativa fluir, sobre toda a questão estética e moral. O que nós vemos quando não enxergamos? As roupas trocadas, rasgadas, imundas, não têm mais nenhuma importância. O cheiro fétido é para todos, a fome também.

"Acabando nós todos cegos, como parece ir suceder, para que queremos a estética, e quanto à higiene, (...) Provavelmente, só num mundo de cegos as coisas serão o que verdadeiramente são." (Pág. 128)
"Tirando a tristeza irremediável causada pela cegueira de que inexplicavelmente continuavam a padecer, os cegos, valha-lhes isso ao menos, estavam a salvo das deprimentes melancolias produzidas por estas e semelhantes alterações atmosféricas, comprovadamente responsáveis de inúmeros actos de desespero no tempo remoto em que as pessoas tinham olhos para ver." (Pág. 200)

Eu não sei como acabar de escrever esse post. Anotei várias citações, trechos que resumiam muito bem o que eu queria ter escrito enquanto pensava no banho. Mas deixa assim, isso não é exatamente uma resenha.

P.S.: Estou louca para terminar de ler esse livro para poder ver o filme.
P.S².: Sério, leiam esse livro.
P.S³.: Eu não tenho mais Word, como eu disse no primeiro parágrafo. Falei isso porque fica mais bonito. Escrevo agora tudo no WordPad. E escreveria mais, mas tenho sono.

Filmes que vi em SETEMBRO

3 de outubro de 2012

Wuthering Heights (O morro dos ventos uivantes, 1939): Esse filme é baseado no único romance de Emily Brontë, livro esse de mesmo nome. Para quem conhece a história, já posso ir adiantando que segue bem direitinho o livro (só não conta tuuudo, porque é muita história para um filme só). Para quem não sabe do que estou falando e assim ser mais fácil de entender, o filme todo é um flashback, narrado por uma empregada (Ellen Dean). É a história de amor entre Catarina Earnshaw e Heathcliff, mas que não dá muito certo (nada certo, na verdade) por muitos motivos. Um desses motivos é Heathcliff não ser ganancioso e ser pobre e, bem diferente dele, Catarina querer uma boa vida e um casamento (não que ela fosse fresca, mas apenas não queria viver mediocrezinha, rs). Aí, nessa de querer ser madame cheia da graninha, ela conhece Edgar Linton, que é um moço galante, bonito, completamente apaixonado e também muito rico (algo tipo "tchau Heath, to indo com o Ed, beajs"). Eu sei que essa descrição tá meio porca para uma história tão legal e tão clássica, mas, acredite em mim, é muito bom. Recomendo fortemente que leia o livro e depois correr ver esse filme. Eu sei que tem as versões de 1992, 2009 e 2011, mas ainda não vi.

Memoirs of a Geisha (Memórias de uma gueixa, 2005): Anos antes de começar a Segunda Guerra Mundial, Chiyo e sua irmã são vendidas pelo pai para uma casa de gueixas. Ela, pequena, que morava numa ilha de pescadores, não entendeu nada, tanto que nem sabia o que era uma gueixa. Chegando onde havia sido destinada, é separada da irmã e colocada como doméstica. Um dia, num passeio, conhece por acaso o presidente (que eu não entendi presidente do quê). Chiyo nunca se esquece desse acontecimento e fica com o pensamento firme de que um dia o verá novamente. Para isso, decide tornar-se uma gueixa.


Ah, sobre o que é ser uma gueixa, perdoe-me se eu estiver equivocada, mas pelo que entendi é uma mulher que dá pra prazer, mas mas não exatamente no sentido sexual da coisa. É tudo muito visual. Elas dançam, elas se vestem com os melhores quimonos, passam pó em todo o corpo a fim de ficarem muito brancas porque tudo isso é o que é bonito para os homens que frequentam as casas de gueixas. Para ter uma ideia (bom, é desse jeito que mostrou no filme), elas deixam os PULSOS perfeitos porque é essa a única parte, sem contar o rosto, que fica visível. É lindo de ver, é bonito de chorar.

Diary of a Wimpy Kid (Diário de um banana, 2010): Posso começar falando que esse filme é besta? Então, esse filme é besta. É baseado numa série de livros de mesmo nome, e conta a história de Greg, que fica todo mimimi para ingressar no Ensino Fundamental, ou seja o que for, eu não sei como se dividem os anos escolares nos Estados Unidos. Bom, além desse mimimi, Greg tem um irmão mais velho idiota, tem uma mãe que sempre culpa ele das coisas que o irmão faz (clichê, não?), tem um amigo também muito idiota e infantil. Ah, e tem uma história de um queijo que contamina quem o toca. Enfim, é bem bestinha e desnecessário.

Scott Pilgrim vs. The World (Scott Pilgrim contra o mundo, 2010): Já vi umas não-sei-quantas-vezes esse filme, e acho que não me cansarei <3 Por vários motivos: a história é legal, os atores são todos uns fofos e lindos que se encaixam perfeitamente em cada personagem, os efeitos são super UAU e tem música ruins (de propósito, ok?) no meio! Uma maravilha por completo. É a história de Scott, um garoto de 23 anos, que tem uma banda e que está numa ressaca amorosa faz um ano. Aí ele conhece a Knives, uma colegial adolescente (redundância?) inocentinha e tal. Aí ele conhece Ramona Flowers, primeiro nos sonhos depois realmente, e ele cai de amores por ela. Mas, para eles ficarem juntos (imagine também a novinha Knives no pé de Scott), Pilgrim terá que derrotar a liga dos dos 7 ex namorados do mal de Ramona. Soou confuso, eu acho, mas sério, assista. Você. Tem. Que. Assistir. AGORA. 

The Amytiville Horror (Horror em Amytiville, 2005): Muitos anos atrás, uma família é assassinada numa casa por um dos familiares que tinha começado a ouvir vozes de uma hora para outra e acreditava, a partir de então, que todos naquela casa estavam possuídos por alguma coisa, então, né, ele precisava matar todos e foi isso que fez. Muito tempo depois, uma família vê um anúncio de jornal com aquela num preço super acessível então resolvem compra-la, mesmo sabendo da história que a cercava. Aí, o pai da família começa a sofrer as mesmas coisas que o carinha lá de antigamente. 

Eu não gosto de filmes de terror.

The Avengers (Os vingadores, 2012): Quando se trata de super heróis, eu sou a maior desinformada da face da Terra, pelo simples fato de não me interessar. Nunca vejo os filmes que lançam, não vi clássicos (se vi não lembro), nem pus meus olhos em quadrinhos dessas histórias. Até esse O Espetacular Homem Aranha aí recém lançado, que tem o tchutchuco do Andrew Garfield (é gatinho até de sobrenome - risos) eu não assisti. E também não veria Avengers, mas veio um povo aqui em casa para a sessão Cinema na Sala e vi junto. Pelo que entendi da história, todos os super heróis precisam se juntar para evitar a destruição do mundo (?). Acho que é isso. Se eu fosse escolher um deles como favorito, certamente seria o Homem de Ferro.


Breakfast on Pluto (Café da manhã em Plutão, 2005): ESSE FILME É A COISA MAIS AMOR. Conta a história de Patrick (ou Patrícia) Kitten Brady que, abandonado quando criança, procura sua mãe. Mal sabe ele que é filho de um padre e sua empregada, rs. Quando eu disse que o filme é um amor, é porque é mesmo. A trilha sonora combina maravilhosamente com todo o cenário dos anos 60', 70' junto com todas as cores que é a produção, mas, mais do que isso, o ator principal é que é a maravilha: dá vontade de abraçar e dizer "vemk ser minha amiga". Além de um filme bonito com uma trilha sonora impecável, é uma história para se pensar. Patrick é um travesti que gosta desse mundo feminino desde muito pequeno e que, por isso, desde também pequeno não é aceito em lugar nenhum. É rejeitado primeiramente por seus pais ao o abandonarem, é rejeitado na escola, pela mãe adotiva, e depois que sai de casa, é rejeitado por onde passa. Mesmo assim, ele sorri inocentemente fingindo que não vê isso e continua sendo ele mesmo. É para se assistir com todos os sentidos.



Tomboy (Tomboy, 2011): Esse filme trata do assunto delicado que é a definição da sexualidade. O peso do filme é amenizado por mostrar isso na infância, quando tudo é muito natural e inocente. A história: uma família se muda para uma bairro novo e Laure, uma garota de 10 anos, faz amizade com as crianças do local. Ela, que tem o cabelo curtinho e gosta de se vestir como um menino, assume a identidade de um menino, passando a se chamar Mickäel. As cenas de Laure e sua irmã mais nova, Jeanne, são tão naturais que por um momento nem parecem ser um filme e sim uma gravação de momentos de família. É lindo, é fofo, é natural.

Dançar talvez seja a solução

24 de setembro de 2012
Sábado eu estava a cara da desgraça. A maré vermelha havia chegado até mim, meu ânimo estava negativo e, para variar, estava irritada. Muito. Irritada. Outra coisa maravilhosa também era que eu já tinha acordado com dor de cabeça, parecia que tico e teco estavam martelando meu cérebro, len, ta, men, te. Só isso bastava para prever a merda que poderia ser o resto do dia. O que em parte realmente foi.

À tarde eu iria, junto com minha irmã e mais um povo, arrumar um salão para a festa que haveria de noite, mas apenas fui e voltei. Cortei alguns enfeites, dei meia volta entre os que estavam de fato à serviço e me vi indo para casa logo. Mas não era preguiça não, era dor de cabeça, enjoo, um pouco de cólica mais um pouco de tontura. E fome também. Com todas essas coisinhas me irritando, tudo que eu não queria era continuar de pé fazendo sei lá o que. Acontece que só quando eu cheguei em casa eu fui me lembrar que meus pais não estavam em casa, que minha irmã não estava do meu lado e que a porta estava trancada. E eu, sem a bendita chave.

Não tendo lugar para ir, nem entrar, me vi sentando no chão do pátio da frente. E olha que nem fiquei irritada por me ver  provisoriamente sem teto. Observei as florzinhas coloridas da primavera, meus gatinhos que iam e vinham, os carros passando e tudo mais. E nem me irritei. Acho até que a dor de cabeça passou um pouco. Mas se eu fosse criança, aquilo seria um pouco diferente, porque eu não estaria no chão e sim no topo do pé de goiaba (meu favorito). Pena que meu pai cortou o galho que dava para subir pelo principal acesso ao topo. Pena, porque, se ainda estivesse lá o tal galho, eu poderia esquecer um pouquinho que tenho 19 anos e escalar as galhagens até ficar lá em cima, bem no alto, coberta pelas folhas e sem ninguém me ver. Aí poderia observar as pessoas.

Porém eu estava no chão, assim como meus gatinhos. E o meu bebê, lindo como ele é, estava com aquela carinha maravilhosa de quem quer brincar, e, como eu não nego nada para ele, me vi pegando um galhozinho de qualquer árvore e arrastando pelo chão, só para ver ele correr com os olhos esbugalhados mostrando que está feliz. Coisa mais amor. E foi assim até meus pais chegarem.

Mas, enfim, chegou a noite e também a hora da tal festa (janta + festa, na verdade). Se eu já estava desanimada pela manhã e tarde, de noite eu estava com vontade de mandar todo mundo para longe. Pensem comigo: quem, com dor de cabeça contínua, com cólicas esporádicas e de mau humor conseguiria sair, ainda mais para um lugar com música alta, com pessoas à volta e tal? A resposta quase certamente seria para todos os casos um grande NÃO!, mas, não sei como, consegui reunir forçar para me arrumar, colocar qualquer roupa e pôr o pé pra fora de casa.

Ainda assim, minha cara irritadiça e meu mau humor permaneceram fiéis comigo. Jantei (estava tudo muito bom), comi cupcake, tomei Coca. E ainda com aquela cara de quero-ir-pra-casa-agora. Aí, quando eu achava que nada tinha mais solução, que o jeito era conseguir uma carona para casa ou ligar para meu pai para me buscar, começou a música. Sei lá o que tocou, sei lá quem do meu grupinho deu o primeiro passo rumo a pista. O que eu sei é que me contagiei e me surgiu uma súbita vontade de dançar. Até estranhei que aquele mesmo corpinho que agora estava se agitando ao ritmo de qualquer música era o mesmo que até a pouco era composto por 70% de desânimo. Foi assim até às 3h da madrugada, e não me reclamei de nada.

Acho que descobri o que fazer quando me atacar essas crises de sai-pra-lá-todo-mundo.

Update 28/09: mudei a imagem do post, essa tem mais a ver (daqui).

Filmes que vi em AGOSTO

22 de setembro de 2012

Citizen Kane (Cidadão Kane): vi esse filme na aula de Teorias de Jornalismo e, ao contrário do que filme na aula sugere (chatice), esse daí eu adorei. É um filme de 1941 que fez uma super diferença na época, tanto na área do cinema como na área do Jornalismo (mudou o jeito de filmar e também mostrou como era de fato uma redação). Mas, mesmo com toda essa inovação, o filme não teve o sucesso esperado pelo simples motivo de o diretor ter mexido com um dos "grandões" da época. Explicando melhor: o filme começa mostrando uma matéria jornalística sobre a morte de Charles Foster Kane. Mas o jornal queria mostrar mais, não ficar só no que todo-mundo-tá-fazendo. Para isso, os jornalistas foram investigar o que significava a última palavra que o Kane havia dito, "Rosebud". Para conseguirem descobrir, investigam toda a vida de Kane. Então, o filme não teve tanto sucesso (na época, agora é um clássico do cinema e do jornalismo) porque o diretor, Orson Welles, fez com que a história se parecesse MUITO com a vida de William Hearst. E bom, ele não curtiu muito e pediu (ordenou *cofcof*) que as fitas fossem queimadas e tal. Mas enfim, é um bom filme.

Across The Universe (Através do Universo): é um filme musical que é uma maravilha de olhar (e principalmente de se ouvir). Assisti com a legenda em inglês porque não achei de jeito nenhum alguma que ficasse sincronizada com o filmezinho que eu havia baixado, então tinha coisas que só entedia pelas imagens mesmo (me sinto analfabeta às vezes em relação ao inglês). Mas, apesar desse pequeno imprevisto, consegui acompanhar direitinho e tal, até mesmo porque é mais música mesmo que história ou fala. E a história que existe de fundo para todas as músicas é a de (Hey!) Jude, que mora em Liverpool mas vai aos EUA à procura do pai. Lá ele conhece Lucy (in the sky with the diamonds) e se apaixonam. O musical também tem a Guerra do Vietnã de fundo e um tanto de psicodelia. É um filme bonito em muitos sentidos.

Trois Coleurs: Bleu (A liberdade é azul): esse filme é o primeiro de uma trilogia dedicada às cores da bandeira francesa (azul, branco, vermelho). É a história de uma modelo que perde o marido e filha num acidente de carro. Tenta frustradamente se suicidar, mas não conseguindo, enxerga uma nova oportunidade de se animar pela vida ao dar continuidade no trabalho do marido, que era um músico famoso e tal. É um filme paradão, quietão, com pouca fala. É legal, até, mas pra se ver sozinho. Ver com mais alguém seria uma depressão total.

Trois Coleurs: Blanc (A igualdade é branca): é o segundo filme da trilogia das cores do polonês Krzysztof Kieślowski (tentem falar o nome do cara bem rápido três vezes). É a história de um emigrante polaco que é casado com uma francesa e que mora em Paris. Sua mulher, sem mais nem menos, decide se separar e ele fica à mercê, à margem, mendigando mesmo. Tudo porque ela (a agora ex dele) resolva colocar ele pra fora de casa, sem dinheiro, sem nada. Mas aí, nessa vida de pedinte de metrô, ele encontra um outro polaco e acabam voltando juntos para seu país de origem. Esse filme segue ainda a linha de quietão e sem muita fala como o primeiro, mas tem pelo menos tem mais história e acaba de um jeito "legal". Esse vale mais a pena.

The Cabin in the Woods (O Segredo da Cabana): sabe todos os clichês que já estamos cansados de ver nos filmes de terror? Então, esse filme tem TODOS. A loira burra, o idiota, a nerd, o fortão, o inteligente, uma van, uma floresta, um posto de gasolina abandonado, um porão cheio de cacarecos. Tem tudo isso e mais. Mas, tcharan!, esse filme meio que "explica" qual a grande verdade por trás desses filmes e o porquê deles serem assim. Sério, é muito bom mesmo.

A virgem, o fortão, o inteligente nadavê, o idiota chapado

All the President's Men (Todos os Homens do Presidente): outro filme que vi na aula de Teorias, e outro que gostei (ainda com a temática jornalística, mas isso é meio óbvio, né?). “Todos os homens do presidente” é um filme de 1976, baseado no livro de mesmo nome lançado em 1974. O filme mostra, essencialmente, como um jornal conseguiu fazer um presidente renunciar ao seu cargo e desmascarar a lavagem de dinheiro do governo. É um filme legal pra ver como mais ou menos funciona o dia a dia de um jornalista (claro, não é todo dia que se tem um caso na mão capaz de derrubar um presidente dos Estados Unidos), mostra toda a correria, apuração, checagem das fontes, agilidade em escrever. Principalmente pra quem curte esse ramo da Comunicação Social e pretende algum dia cursar, é um filme super interessante.

E sim, essa lista tá mega atrasada.

Brasil, mostre um pouco mais a tua cara

15 de setembro de 2012
Ontem teve um debate político que me prendeu na sala até mais tarde que o normal e que me fez correr enlouquecidamente para conseguir alcançar o ônibus. Hoje eu tive que caminhar o dia inteirinho para "encontrar" magicamente fotos para meu trabalho. Gente sedentária sofre, viu? To me remoendo o corpinho que resta desses dois dias (mentirinha, só to fazendo drama).

Então, eu disse que ontem estava num debate, mas esse nem vou comentar aqui, vou me dar esse trabalho só para o relatório que preciso entregar semana que vem para minha professora. A única coisa que posso afirmar é: foi horrível, de todas as maneiras possíveis. Mas deixa pra lá.

Agora te pergunto uma coisa, caro leitor: quantas bandeiras dos Estados Unidos ou Inglaterra você vê por dia (pode ser estampa, objeto, whatever)? Acredito quase com toda certeza que são muitas. Todo mundo ama, todo mundo acha bonito, todo mundo quer morar lá. Todo mundo é poserzão de gringo, diga-se de passagem. Aí sabe qual o tema que o meu professor de fotografia dá pra gente fazer? Patriotismo. Isso, pa-trio-tis-mo.

Te pergunto agora outra coisa, lindíssimo leitor: quantas bandeiras ou coisas que remetem o Brasil você vê por dia? por mês? por ano? Basicamente é apenas de quatro em quatro anos que nos lembramos do país que vivemos, o que torna o trabalho de fotografar algo patriótico meio que impossível. A minha sorte é que aqui no Rio grande do Sul tem sempre a Semana (mês, cofcof) Farroupilha, que prestigia as tradições, que gloria a guerra perdida, que nos faz sentir mais gaúcho e tal. Aí nesse acampamento (sim, tem um baita acampamento bem crioulo no meio da cidade nesses dias) as pessoas colocam a bandeira do Brasil timidamente ao lado da orgulhosa bandeira do RS. Taí uma sorte grande, né?

Então a solução pra coisa foi rumar para o tal acampamento. Dei uma super volta naquilo e não achei nada assim "ai meu Deus eu amo o Brasil". No máximo um tiozinho que fez pose pra foto, ou uma menina com uma camiseta com a bandeira do Brasil e escrito embaixo "Rio de Janeiro". Todo o resto do povo tava pilchado e sendo feliz por ser do RS.  

Isso é uma das barracas (?) do acampamento, isso é um tiozinho pilchado, isso são bandeiras.

Mas também, o que mais eu iria querer de um acampamento farroupilha? Se nós, gaúchos, já somos extremamente bairristas e chatos com a supervalorização da nossa cultura no dia a dia, IMAGINA COMO FICAMOS NA ~NOSSA~ SEMANA?

É, Brasil, você não tem vez aqui no Sul.

As coisas mais legais que achei mesmo foram do lado de fora do tal acampamento. Quando eu estava voltando achei uns botecos com umas pinturas legais. Nada demais, nada uau, mas que representou bem aquilo que eu tava procurando.

"ô mina, que cê tá tirando foto de mim aê??!"

Tentei encontrar algo mais abrasileirado no Mercado Público, mas também nada demais, pra minha tristeza. Fiquei caminhando aleatoriamente pelo centro de Porto Alegre, com a minha garrafinha de água na mão para sobreviver ao calor de 26ºC. Mas água com água e mais água dá vontade de ir no banheiro, aponta estudos. Ou seja, nada melhor que ir para um museu né galerinha (banheiro de museu é bem cuidado, fica a dica). Rumei às escadas do museu, mas a porta emperradinha e a exposição que tinha lá dentro me fizeram esquecer um pouco do propósito inicial. Estava tudo muito escuro e só iluminado onde tinha as fotografias expostas, todas em preto e branco (pelo menos no andar que eu estava era assim). Admirei, bem bela, até que meu corpinho me avisou o porquê de eu estar lá dentro. Aí desci as escadas (sério, as escadas do Santander Cultural são muito lindas) e desci para o majestoso banheiro.

Aí fiz um look do dia no banheiro.

Nossa gente agora esse vai ser um blog de moda ACOMPANHEM AS TENDÊNCIAS MIGS~~~~ (não)

Ok, tenho que postar isso o mais rápido possível antes que eu me arrependa da ideia de ficar falando sobre minha ida ao banheiro e de eu postar uma foto minha num. 

A internet é estranha ou o quê?

4 de setembro de 2012
Se tem algo que eu acho estranho nesse mundo são as coisas que acontecem na internet. Sim, internet. Já perceberam que o mundo do nada pode ser MUITO pequeno? Que, do nada, pessoas aleatórias que tu conheceu em algum momento aleatório da tua vida podem ser melhores amigas de infância e tu descobrir isso só pelas atualizações do Facebook? Por isso, repito, a internet é estranha. Fantástica, mas ainda algo que me assusta.

Hoje (agora, melhor dizendo) enquanto estava apenas no Twitter fazendo o meu nada cotidiano, analisando a vida alheia como quem não quer nada, uma menina posta uma imagem no Twitter dela. Como eu clico em quase todos os links possíveis, apertei o mouse, de curiosa que sou. E então abismei. Fiquei chocada. Fiquei bege. O que vi era nada mais nada menos uma postagem/reprodução do Facebook, com uma frase e com uma foto satirizando a frase. Mas o que mais me deixou intrigada foi o fato de a frase ser MINHA, frase que em outros tempos eu havia postado no Tumblr e que tinha conseguido uns bons notes. Pode não parecer nada, mas acompanhe meu pensamento: uma frase (idiota, diga-se de passagem) qualquer, de um Tumblr qualquer (o meu), apareceu na minha própria timeline através de uma guria que comecei a seguir a pouco tempo e que nem tenho o Tumblr dela. E o pior, vi em formato de postagem do Facebook. Imagina só todo o “trajeto” que essa minha frase (idiota, devo relembrar) fez até chegar aos meus olhos novamente?

Não, não estou tendo tiliques do tipo “ai, mimimi, me plagiaram, vou chamar o Procon!!!!”. Não. Eu já tinha conhecimento que muitas pessoas já tinham feito uso dessa frase (tosca) e colocado em seus perfis, mas disso até então eu só ri (quem nunca se pesquisou no Google que atire a primeira pedra). O que me estranhou mesmo é que essa mesma frase chegou a mim, da forma mais inesperada possível.

Provas? Aqui está o link do Twitter, onde me assustei, e aqui está o post original.

Sério, eu não estou brincando quando eu digo que o mundo (a internet e afins) é muito pequeno.

Sobre coisas que preciso ver (só pelo amor)

25 de agosto de 2012
É madrugada, tá fazendo um calor desgraçado e eu estou aqui, sem sono nem nada. Até tentei ver um filme, mas como era meio pseudo-terrorzinho decidi não arriscar (vai que eu acabe sonhando com o que acontece no filme?).  Enfim, não é disso que eu quero falar. Ah, mas antes que eu comece de fato o que eu tinha planejado escrever, tenho que declarar uma coisa: não sei se tem alguém que acompanha com todas as forças esse bloguito, mas se tem, acho que deu pra notar que não tem post novo na parada faz bom tempinho. Motivo simples: pura preguiça. Eu tenho umas ideias super legais para escrever, e ideias que renderiam bons posts até. Mas ficar no Twitter é mais tentador, não me julguem.

Atenção: a partir desse ponto o post é sobre o que eu amo, não importa se é ruim. Beijo.

Esses dias eu estava linda e bela passeando pelos bosques floridos dos meus feeds quando acabei me deparando com um post maravilhoso. Não o post em si na verdade, mas o que fez meus olhinhos brilharem foi ler a notícia que ele trazia. Resumidamente, a postagem anunciava que a dona Globo (plim plim) passaria a novela “O beijo do vampiro” no Vale A Pena Ver De Novo. Sabe o que é eu enfiar a cara no meio do notebook e sorrindo e chorando à medida que eu lia? Então, foi bem assim mesmo. E olha que nem estou exagerando. Acho que não fiquei eufórica assim nem quando fui pedida em namoro.

Pausa: imagina a cena de alguém pedindo você em namoro e você simplesmente sorrindo e chorando e segurando a pessoa pelos cabelos de tanta euforia? É, ainda bem que comigo não foi assim.

Mas continuando, eu realmente fiquei feliz. Acho que quem é um pouco mais novinho não conhece a novela, até mesmo porque eu era criancinha quando vi. Se não me engano, eu tinha 9 anos quando passou e, por ser uma novela que passava às 19h, meu pai sempre optava por colocar em algum noticiário, seja lá em qual canal fosse. Por isso não pude ver toooda a história de verdade, o que não me fez diminuir o amor. Talvez até tenha aumentado, porque, quando acabou, fiquei logo esperando que aparecesse no Vale A Pena Ver De Novo. Sério.

Eu tinha um amorzinho platônico pelo Zeca.

Só estou esperando que Chocolate Com Pimenta acabe (amei também essa novela, mas tá longe de ser uma das minhas favoritas) para poder me deitar no sofá e aguardar a abertura vampiresca. Ah, curiosidade: eu tinha 9 anos, estava na terceira série e minha professora também tinha um amorzinho platônico por um bruxão lá. E toda a sala colecionava as figurinhas que vinham no chiclete.

Cartões telefônicos da novela lançados em 2002.  RISOS.

Mas não é só por essa novela que estou esperando. Uma vez eu falei aqui do livro Insônia, que é minha paixão. Como tenho certeza que ninguém se lembra disso, retomarei. Insônia é um livrinho pequeno, adolescente, comum, com uma história que não muda a vida de ninguém, apenas com uma leitura legal pruma tarde tediosa. Trata da vida de uma garota que adquire muitas responsabilidades desde cedo e que tem um pai desajeitado e tem uma amiga mais velha linda & gostosa (que se apaixona pelo pai). Também fala do amor no início da internet (o livro é de 96), quando mandar e-mail era super legal.

Apesar de tanta comunzice e nada de mais, eu amo esse livro. Tem uma historinha legal (ou não) por trás dele, mas não convém contar agora, rs. Enfim, é amor. Há muito li que um filme a partir desse livro estava sendo produzido, acho que em 2009. Pensem nisso: o livro é brasileiro (gaúcho) e não muito relevante, quando é que alguém iria se interessar pra fazer um filme? Sei lá. O chato é que, segundo li por aí, estavam (e ainda estão) enrolando esse filme já faz uns cinco anos, só pela falta de verba nos bolsos.

Mas eis que surge uma luzinha fraca no fim do túnel. Esses dias, enquanto almoçava e assistia tevê, apareceu uma daquelas rapidinhas sobre as opções culturais da semana e tal. Não estava prestando muita atenção porque é da minha natureza não prestar atenção, mas do  pouco que consegui, ouvi o nome “CLÁUDIA”, que é a principal da história, e quando viro a cabeça tem o nomezinho “Insônia” na telinha. Ai que felicidade, lançaram o filme.

Mas foi alegria passageira. Descobri depois que só iria passar no Festival de Cinema de Gramado, que obviamente não teria como eu ir. Revistei então toda a querida internet sobre o filme, e vi várias críticas e resenhas de quem pode participar do evento. Foi unânime: todos odiaram o longa-metragem (não exatamente com essas palavras, mas quase). Fiquei triste, fiquei abalada, fiquei lastimosa.

Mas ok, é a vida, e ela continua, mesmo quando fazem filmes ruins sobre livros que você ama. Tudo bem, não me importo. Quero ser a primeira a downloadear esse filme e assistir o mais breve possível. Não porque quero comprovar se é ruim ou não, se foi fiel à história ou se saiu uma merda completa. Quero ver só porque estou esperando esse tempo todo (isso vale para O Beijo Do Vampiro também).

A maldição da luz desligada

10 de agosto de 2012
Hoje*, quando cheguei da faculdade, pensei: vou dedicar meu tempo de noite para pesquisar, pensar e argumentar sobre o filme Cidadão Kane (que, aliás, é melhor revê-lo, e para isso não posso ter preguiça de baixar o clássico). Mas não dá, terei que escrever esse texto.

Então. Eu não gosto de fazer alarde de noite, como deixar todas as luzes ligadas ou ouvir música num tom relativamente alto. Prefiro ficar com a luz do note (ou celular, se for pra ler) e para ouvir o headphone. Isso tudo por dois motivos: 1) meus pais não gostam que a casa fique ~movimentada~ depois que todo mundo (menos eu) vai dormir 2) porque eu sempre acho que vou acordar a vizinhança, e isso me faz sentir uma vândala dentro da minha própria casa (isso me fez pensar uma coisa: se eu sou assim morando numa casa, onde tudo tem um espaço razoável para fazer barulho, imagine só se eu morasse em apartamento, tudo juntinho? Credo).

Como eu disse lá em cima, tinha determinado hoje o dia para pelo menos começar o meu trabalho. Como estava morrendo de fome, me aprumei para a cozinha com tudo o que tinha direito, para fingir direitinho que eu realmente faria algum trabalho: o note, o headphone, minha bolsa com meu caderno e minhas anotações. Tudo bonitinho em cima da mesa. Fiz o café para me manter acordada e comi umas bolachas Maria que tinha (só como isso quando estou doente, mas hoje a fome e a preguiça me deixaram abrir uma exceção).  Pesquisei algumas coisas, quase escrevi um parágrafo, mas cansei disso e me entreguei para o Twitter, um pouco para o Facebook, e muito para os meus gatinhos, que não saíam de cima do meu colo.

Mas esse não é o ponto. O que me fez abandonar a ideia de fazer meu trabalho para escrever um post é justamente o que está escrito no segundo parágrafo. Quando eu decidi que era melhor eu sair da cozinha e ir para o quarto, era porque não queria deixar luzes acesas pela casa. Senhorita Paola, a minha gata, se encontrava lindamente aninhada no meu colo, então, sem coragem de me desfazer dela, levantei da cadeira segurando minha bebezinha, e pretendia levar a minha xícara para a pia. Só pretendia, porque, ao me levantar, de algum modo a patinha da Paola ficou presa DENTRO da xícara (não sei como) ainda meio cheia com café já frio. Resultado: todo o café que eu havia esquecido de tomar agora se encontrava no chão. Não chorei o café derramado só porque já estava frio, mas teria se tivesse levado a minha xícara (tão bonitinha) junto.

Superado o transtorno de ter que limpar toda a nhaca que tinha ficado no chão, me vi organizando as coisas para levar para o quarto. Primeiro levaria o note entreaberto com o restinho do pacote de bolacha maria no meio, junto com o carregador e o headphone (e nisso também aproveitando a luzinha da tela para me guiar até o quarto sem tropeçar em nada, já que né, sempre mantenho as luzes desligadas e me recuso a ligar). Coloquei tudo nas minhas mãos – dessa vez sem a gata junto, aprendi a lição – e rumei quarto dentro. E sabe de uma coisa? Parece que no escuro eu esqueço como é cada pedaço da minha casa, porque sempre, SEMPRE, tropeço em alguma coisa que me faz ter algum roxo estranho na perna ou deixar algum dedinho do pé latejando. Como não poderia ser diferente, dei de cara com a porta do quarto e isso fez um estrondo legal o suficiente para imaginar uma sitcom de fundo, com direito a passarinhos girando em cima da minha cabeça.

Mesmo batendo com tudo na porta, segui firme e forte sem ligar a luz. Pra quê, né? Vamos preservar o meio ambiente, diminuir a conta de luz, não acordar os vizinhos. Afinal, se eu não sei andar na minha própria casa à noite, onde mais posso?

Bom, já tinha levado as minhas coisinhas para o quarto, agora era hora de voltar para a cozinha e desligar a luz, que tinha ficado para trás. Fui, pé por pé, com os olhinhos já acostumados à escuridão e assim já vendo possíveis estrondos e podendo evita-los. Fui lá, linda e bela, e desliguei a luz, deixando o que estava escuro mais escuro ainda. Os primeiros passos até foram tranquilos, mas, de alguma forma bem inexplicável, eu chutei um balde cheio de água, e isso foi mais escandaloso que bater na porta. Molhei todo o pé, todo o chão, e xinguei baixinho pra ninguém acordar, se é que já não tinham acordado depois disso.  Voltei para o quarto, e acho que tropecei em mais algumas coisas que estavam (e ainda estão) no chão, e agora estou aqui, escrevendo sobre isso. 

A minha teoria (preciso ainda formula-la melhor) é que os objetos ganham vida quando as luzes são desligadas e se movem para lugares estratégicos, a fim de serem pisados e lembrados. Sim, lembrados. Quem se lembra de uma porta durante o dia? E de um balde cheio de água? Eles, os objetos quase que esquecidos, só querem um pouco de amor e atenção, por isso buscam se divertir à noite pregando peças em seus donos.

Moral da história: antes de desligar as luzes para dormir, dê um abraço na quina da sua cama. Faça o mesmo com a porta e com todas as coisas que ficam entre o seu quarto e o banheiro (e a cozinha, caso seja um assaltante de geladeira). Depois disso torça para que tudo tenha se sentido amado o suficiente para não querer fazer amizade com seu joelho. Fica a dica.

*Escrevi esse texto hoje, porém foi durante a madrugada. Ou seja, tudo isso se refere ao que aconteceu ontem de noite. (:

Aproveitando que o dia estava bom

5 de agosto de 2012
A exposição não entendida
Em exposição nem tudo se entende de cara, mas pelo menos se procura entender o que o artista quis passar, não é? Foi o que tentamos fazer, eu e minha irmã. E nisso falhamos. Hoje, numa amostra de artes visuais no Santander Cultural, com o título de Italian Genius Now Brasil, demos voltas e voltas e mais voltas em cada espaço do museu e nada de entender do que se tratava. Digo, o que pode me significar um quadro todo branco, apenas com um número “7” no meio, e ainda meio tortinho? Não sei vocês, mas pra mim tudo o que causou foi vontade de rir. E só não ri mais alto porque tinha que manter a pose fingindo ser cult e assim analisando cada sentimento que aquela tela (quase) vazia poderia me representar. Só depois, quando já estava voltando para casa de trem é que fui ler a cartilha da exposição e finalmente entendi que aquilo tudo era, em síntese, a evolução do design italiano moda-casa para o mundo. O que não me fez ainda entender o porquê de um sete perdido no meio de uma tela, mas tudo bem.

Vontade de arrumar a mochila
Hoje vi Na Estrada (On The Road) no cinema. Ainda não li o livro, então não conhecia os personagens, nem enredo, nem nada. Só tinha a informação que a história se passava numa espécie de viagem sem fim, sem rumo, e foi isso que me encantou e me levou a assistir o longa. Desde pequena sempre fui fascinada por essa possibilidade de arrumar uma mochila – e somente uma, apenas com o basicão mesmo – e sair por esse mundão afora. No filme, Sal Paradise (que seria o alter-ego do próprio escritor) conhece Dean e conta como ele mudou sua vida, tudo sempre muito bem servido de bebidas, drogas, sexo e música. Não poderia fazer um resumo ou sinopse do filme aqui, até mesmo porque não tenho propriedade do assunto e, como são muitos os acontecimentos de forma quase que solta, fica um tanto confuso para mim. Vi algumas críticas negativas quanto ao filme, mas olha, to ignorando isso. Amei o filme e agora o livro que o originou se encontra em primeiro lugar na ordem de livros de desejo.

Quem me acompanha para um mochilão? 

Filmes que vi em: JULHO

1 de agosto de 2012
No início do mês passado eu fiz uma lista de filmes e livros que eu queria ver, né? Então, não vi nenhum (NENHUM MESMO) filme da lista e não consegui acabar também nenhum livro que eu havia dito. Ok, paciência. Mas, mesmo não tendo visto e terminado de ler nada do que eu havia previsto como passatempo pras férias (que, diga-se de passagem, foram curtas demais), descobri e vi filmes bons, na maioria.

Freaks (1932): não sei como começar explicando esse filme, se pela história ou pelo fator "diferente" que o envolve. Ok, começo pelo diferente. Pelo que li por aí sobre Freaks, e de acordo com o texto introdução do filme, antigamente as pessoas que nasciam com alguma anomalia, deformação ou qualquer coisa berrante aos olhos da sociedade eram colocadas à margem do povo. Ou seja, se formavam comunidades dessas pessoas de alguma forma aleijadas. A história desse filme se passa dentro de um circo (onde essas pessoas "estranhas" são a atração). Detalhe: praticamente todos os atores têm alguma anomalia, exceto a trapezista e o homem-fortão do pedaço. Esses dois são algo parecidos com namorados, só que meio que às escondidas. Mesmo estando juntos, a trapezista seduz e se casa com um anão de lá, por ele ter uma generosa herança.

Freaks (1932)
Poster mais lindão do filme <3

Wiily Wonka and the chocolate factory (1971): No mundo criado por Roald Dahl (autor dessa obra quase comestível), lá pelo ano de 1964, Willy Wonka era o mestre mor dos chocolates. Sabia fazer os doces mais estranhos e bizarros e deliciosos que qualquer um. Por isso, tinha uma concorrência digna de dar uns tapas na cara e mandar para longe, devido a grande inveja. Um dia, alguém se infiltra na fábrica e rouba uma receita. Wonka, com medo de uma possível ruína, fecha a fábrica e põe todo mundo pra rua. Depois de um certo tempo, a fumaça da chaminé volta a colorir o céu de cinza e sombras pequenas começam a se mexer lá dentro, mostrando que tudo voltou à tona. Mas ninguém nunca mais foi visto, nem empregados, nem o dono. Aí, para terminar com esse mistério todo, Willy Wonka decide premiar os cinco felizardos que encontrarem um cupom dourado numa barra de chocolate – que se encontram em qualquer lugar do mundo – como passaporte para conhecer A Fantástica Fábrica de Chocolate Wonka. Opinião sobre esse filme: achei uma porcaria disneyficada, e só. Pelo que percebi, a maioria das pessoas gostam desse filme, mas não me desceu na goela essa versão pras telas da história. Bom, expliquei melhor nesse post no blog Chocolate Literário.

Nossa, como ele é engraçado, parabéns.

Charlie and the chocolate factory (2005): é a mesma história de cima, só que melhor, rs. Na verdade, esse foi o filme mais fiel à história. Não tem aqueles músicas chatas à la Disney pra encher linguiça, não tem psicopata sem noção como protagonista (rimou). No filme recente da história, Willy Wonka, o chocolateiro mais awesome da face da terra, é realmente o chocolateiro mais awesome da face terra e faz jus a isso. Outra mudança do primeiro filme para o segundo (eu sei que to comparando demais, mas me deixa) é a mudança de foco. Se antes o papel principal era do Wonka, agora para a ser do Charlie Bucket (mudança bem clara só de ler o nome do filme, rs). 

Flipped (2010): é a história de uma menina que é apaixonada pelo seu vizinho da frente desde a infância. O menino, mesmo sabendo desse amor todo, sempre tentou se afastar, a julgando grudenta demais. Os dois crescem, o amor dela continua, porém sofre mudanças depois de perceber que o garoto talvez não fosse tudo aquilo que ela sempre achou ser. Resumindo, é um filme muito fofo pra comer com muito chocolate <3

Sucker Punch (2011): uma garota, depois da morte de sua mãe e da morte acidental da sua irmã mais nova, é internada pelo padrasto ganancioso num sanatório para destruírem sua mente (basicamente isso). Só que o serviço é fachada: as prescrições médicas são falsas (mas os procedimentos são mesmo assim feitos) e tudo aquilo serve como um serviço de diversão masculina (se é que você me entende). Para conseguir fugir desse lugar, ela vai usar a mente (literalmente) e enfrentar os monstros e tudo o mais para descobrir a saída. Isso que eu vou falar pode parecer idiota, mas foi o que eu pensei enquanto assistia: parece um musical. Quer dizer, ninguém canta e dança ao mesmo, mas é que mas a cada etapa do filme e da história tem uma música diferente que ganha tanto espaço como a imagem em si. Adorei <3

Ô tio, não pode palavrão nesse blog, que isso

Ghostwatcher (2002): é a história de uma garota que é perseguida por um cara, e esse cara persegue mais umas gurias lá que eu não sei quem são. Nem sei quem era o cara que estava perseguindo, mas tava perseguindo e tal. Um dos piores filmes que já vi. Se você tem respeito à vida e ama a sua mãe, não veja esse filme. É amadoramente idiota. Sério.

Detention (2012): Um serial killer chamado Cinderhella stalkea e mata uma das estudantes mais populares do colégio Grizzly Lake. Com o aumento dos ataques um grupo de estudantes se une para sobreviver o terrível assassino mascarado ao mesmo tempo em que estão presos na detenção (fonte). Esse filme é uma bagunça, mas uma bagunça de um jeito muito, mas muito legal. Mas não é um filme pra qualquer um. Tem que ter um bom conhecimento da cultura ~jovem~ dos anos 90 e 2000. Sério. São muitas as referências e, se piscar os olhos, já não entende mais. Ou seja, pode ser um filme que papai e mamãe odiaria, rs. Também é todo trabalhado nessa vibe de agora: hipsters, instagram, stalkers and bitches. Nota: terei que rever para conseguir entender melhor.
Momento ilegal do blog: achei esse rmvb legendado aqui. Tá meio ruim a qualidade, mas é o que tem pra hoje.

Bad Education (2004): o primeiro filme do Almodóvar que vi. É a história de dois garotos que conhecem o amor num colégio interno só para meninos e os abusos cometidos pelo padre diretor. O tempo passa mas essas histórias do passado continuam muito vivas, voltando dessa vez na forma de um filme que um dos protagonistas produz. 

Nossa, que viagem legal

28 de julho de 2012
Conhecido como um dos maiores ursos da América Latina, o senhor Eternamente Chato sobreviveu três anos sem comer nas ilhas dos Andes. Ele e seus amigos ratos se alimentavam de raposas velhas e mal amadas nas suas derradeiras horas de ócio. Um dia, um bloco de neve caiu na cabeça deles e um raio caiu ao lado.

Querendo conhecer o mundo, o senhor Eternamente Chato e seus amiguinhos roubaram um fusca verde com pintinhas amarelas (muito raro, por sinal) e saíram viajando pelo mar, em cima de uma balsa. Os peixes no início ficaram assustados com tal tecnologia, mas depois se acostumaram e até imitaram, fazendo um carro flutuante semelhante para seus peixinhos-filhos. 

Quando a trupe viajante chegou em terra firme, os passarinhos gritaram “espécies diferentes à vista” e foram entrevista-los. O chato é que ninguém falava a mesma língua, nem Eternamente Chato e os ratinhos se entendiam, então a alternativa que restou para o urso Eternamente Chato foi matar seus amiguinhos ratos para poder usar como caneta (gravetos naquele continente estavam em extinção) e desenhar na terra roxo e laranja. Sim, o paisagista daquela terra desconhecida tinha um mau gosto do caramba pra cores.

Com muita fome e sem seus amiguinhos ratos para caçar, o senhor urso foi ouvir sua eletro-ópera de todo dia. E assim, numa terra distante, com passarinhos mordendo as unhas de seus pés e um céu brilhantemente horroroso à sua frente, o magnífico senhor urso Eternamente Chato terminou mais um dia. E morreu com o fio dos fones de ouvido enrolado na garganta, quando foi espirar. Mas depois ressuscitou.

Escrevi isso enquanto a internet tava muito ruim aqui em casa. Minha mãe está certa: to viciada e sofro de dependência internética crônica. E, por favor, nada desse texto deveria fazer sentido, não questione.

Acho que nasci para ser sozinha

26 de julho de 2012
AVISO: esse post pode conter alto teor de mimimi. Estão avisados.

Acho que nasci para ficar só e é disso que eu mais tenho medo. Um pouco de drama talvez esteja sendo acrescentado aqui, mas tem lá seu fundinho de verdade. Tudo isso porque minha vida amorosa, se é que posso chamar assim e se é que já tive uma de verdade, é um tanto confusa e, falando em números, é precária.

Mas falemos desde o início, de quando se é novinha demais a ponto de achar que vai encontrar o príncipe encantado na turma ao lado e que tudo vai começar com um “era uma vez...” e terminar, depois de um lindo beijo, obviamente, com um “felizes para sempre” (e o que está escrito entre aspas é narrado por algum locutor da Sessão da Tarde). Então, desde pequena nunca pensei em príncipes, em cavalos brancos, em primeiro beijo apaixonante a ponto de erguer a perninha e ficar na ponta do pé. Bem pelo contrário: tudo isso sempre passou longe da minha mente e tudo o que eu queria saber é como fazer uma casinha no meu pé de goiaba em frente de casa. Enquanto minhas colegas (e isso falo da quarta, quinta série) ficavam desperdiçando o tempo observando os meninos jogarem futebol, eu ficava lá fazendo educação física com o restinho de meninas que não estavam também preocupadas em ver meninos magrelos e todos suados sem camisa.

Logo após essa fase de menininhas verem menininhos jogando futebol e admirando o quão bonitos eles eram (só uma coisa: essas mesmas menininhas agora que cresceram tal como eu, vendo os menininhos como estão agora, certamente se arrependem de boa parte daqueles suspiros dados, só falando), veio a fase do primeiro beijo. Era ainda um tempo que nem todo mundo tinha computador e internet, e não tinha essas frescuras de Formspring ou Ask.FM, ou seja, questionários eram feitos na base do caderno e lápis mesmo.  “Você é bv?” era pergunta certa em todo e qualquer questionário que se respondesse. No início todo mundo respondia “sim”, mas aí com o tempinho as respostas foram se misturando e, quando vi, tinha mais gente que respondia “não” que “sim”. Ver essa transição das minhas colegas passando de meras crianças ranhentinhas para pré-adolescentes me fez pensar em algumas coisas: a) acho que nunca beijarei um menino b) eu sou magrela e feia c) minhas amigas todas já ficaram com alguém menos eu d) eu não me importo e) eu realmente não me importo.

E realmente não me importava. Não via necessidade alguma em adiantar as coisas. Se fosse para acontecer, que acontecesse. Eu é que não ia me dar o trabalho de ficar procurando motivos para suspirar.

Então lá pelos 14 anos eu finalmente beijei um menino. Mas foi numa festa, um beijo empurrado pelas gurias que me acompanhavam. Sem paixonite, sem grandes expectativas, sem nada que o fizesse memorável. Apenas um beijo, ou melhor, o ato de beijar, sem toda aquela aura romântica ou sedutora que o envolve. Depois disso vieram outros beijos, mas nenhum que me fizesse suspirar.

Não lembro direito a ordem das coisas, mas pelos 16 eu finalmente dei um sorriso por alguém. Me senti aliviada por isso provar que eu tinha um coração e que eu podia ser como todo mundo. O ruim é que eu sorri na frente de uma tela, e meu coraçãozinho estava batendo por um menino que estava a centenas de quilômetros daqui. No início não me importei, tava feliz só pelo fato de eu conseguir gostar de alguém, e ainda ser retribuída. Mas como nem tudo são flores e palavras digitadas bonitas, acabei ficando triste dessa vida à distância e me afastei. Tive minhas recaídas, mas acho que consegui superar isso.

Aí, na festa de despedida do meu terceiro ano, acabei ficando com um colega de aula que eu nunca tinha conversado direito. E não é que acabei gostando? Foi engraçado, porque eu queria conhecer coisas simples de uma pessoa que eu via todos os dias, mas que nunca tinha prestado atenção. O rolo durou pouco, nem virou namoro nem nada, mas gostei.

Nesse meio tempo entrei para a faculdade. Não conhecia ninguém, tudo era novo para mim, menos a eterna sensação de que eu ficaria encostada num canto alheia a tudo, só pelo fato de eu ser um pouco (muito) antissocial. Mas, para minha surpresa e sorte, acabei me enturmando super fácil. Num belo dia, alguém me adiciona no Orkut (SIM), e eu linda e bela fui verificar quem era. Não conhecia, mas aceitei porque nas fotos o menino era gatinho e porque estudava na mesma faculdade que eu. Depois, puxei um assunto nadavê com ele por scrap (!) e ele pediu msn. Trocamos msn como quem troca telefones no guardanapo de papel, e começamos a conversar. Conversa vai, conversa vem, ele me pede para que eu ligue a tevê, porque ele iria apresentar um programa, aí eu saberia quem ele era. Sim, ele trabalhava na tevê (mesmo que ruinzinha, era uma tevê), e fiquei sabendo quem era o meu futuro namorado assim.

Mais ou menos um mês depois a gente começou a namorar e tudo foi fofo. Principalmente da parte dele. Eu sou uma negação nessa coisa de ser/parecer fofa pelo fato de eu não ser nem um pouco meiga e essas coisas, mas o menino era fofo o suficiente por nós dois. O problema é que, assim como não sou meiga e não gosto de ficar grudada em cima das pessoas, também não gosto que exagerem na melosidade comigo. Gosto de abraços, mas também gosto de espaço, e aquilo tudo parecia me sufocar. Aí não aguentei e puf! Acabou.

Eu canso fácil das pessoas, e parece que elas também não me aguentam por muito tempo. Não reclamo muito disso porque de certa forma gosto de ficar sozinha, pelo menos por enquanto não me parece fazer muita falta um namorado, ou rolo, ou caso, ou seja lá que denominação seja. Acontece que eu não sei até quando vou aguentar ficar solita nessa vida, e fico pensando se realmente terei alguém para colocar minha escova de dente juntinho.

Mas chega de mimimi nessa vida e nesse post. Tenho meu gatinho que é o amor da minha vida e não me importa a opinião dele sobre isso. Ele me ama, eu sei.
 

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