Intrusa no museu

9 de fevereiro de 2012
Minha irmã faz curso de desenho de moda. Hoje (08/02) então ela teria uma saída para uma exposição no centro de Porto Alegre, sobre Botero. A turma é pequena, mas é grande para todas irem num carro. Detalhe: todas gurias. Como o único jeito então seria ir de trem, a Natalia (minha irmã, para quem não sabe) me convidou para ir junto com elas. Eu, no meio de tanto nada para fazer, arranjei um tempo, digo, o dia todo disponível para ir junto.

Como eu sempre tenho o grande dom de atrasar tudo, acabamos eu e a Natalia perdendo o ônibus que desce quase que na frente onde é o curso. Pegamos o segundo, que nos obriga a caminhar pelo sol, vendo miragens e camelos e estandes irreais oferecendo Coca-Cola gelada para gente. Andar no sol é um perigo. Sem falar que nós não havíamos passado protetor solar. Coisa mais charme aquelas marquinhas de camiseta depois, não é? Não, não é.

Ok, pulo a parte da espera no shopping, da chegada no curso e a recepção calorosa da professora da minha irmã. Passemos para a parte do trem.

Trem ainda não. Caminhada até o trem, e que caminhada. Parecia infinita. Meu querido Deus do céu, como pode ser tão quente, credo. Enfim, depois de quase todas morrermos desidratadas, conseguimos chegar até o bendito trem nos arrastando. Espera trem, entra no trem, estação, estação, estação, mais estação. Acaba estação de trem, mais caminhadinha básica. Mas essa não foi tão, tão ruim. Tinha sombra. Professora Carla Meyer (se estiver errado, depois corrijo) fez mini apresentação da cidade para as meninas e então chegamos ao destino. Prédio da CEEE, ou algo assim. Quando entramos no lugar quase morremos com o choque de temperatura. Aquela exposição parecia um pedacinho de alguns dos polos gelados no meio do inferno. Talvez essa seja a comparação mais próxima do real.

E então, admiramos as obras desse tal de Botero (nunca tinha ouvido falar dele antes, desculpa aí). Segundo informações da professora e por todos os quadros que eu pude ver lá, toda obra de Botero é com personagens gordinhos, bem rechonchudos mesmo (e não só as pessoas, mas as coisas, objetos, animais, enfim, qualquer coisa na tela tem formas mais avantajadas). É uma exposição bem política, retrata a precariedade e violência na Colômbia, país de origem do artista. Uma coisa legal de se ver para quem gosta de arte (ou não).

Aí o guardinha (que foi acordado de um sono muito legal de pé quando perguntamos) deixou tirar foto. E tá aí: 
 

Quando o senhor guardinha disse que podíamos tirar foto das coisas, a gente tava num corredor que dava visão pra uma parede grandona, com um baita trabalho feito de lagartixas de plástico grudadas, de modo que parecia um daqueles enfeites de mesa que vó que sabe fazer croché costuma fazer.


Enfim. Valeu ter saído com as gurias do curso. Como uma delas disse: "me sinto uma turista na minha própria cidade". E é mais ou menos por aí que a gente se sente quando não conhece algo que está tão próximo. Espero um dia desses poder fazer esse curso de desenho de moda, é tão mágico.

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