Prédio 6

13 de abril de 2012

Parte da tarde fazendo trabalho. À noite, aula. No intervalo entre a primeira e a segunda coisa, me sentei numa das poltronas azuis e comecei a ler. Acho que minha mente acompanhou a transe que se passa no livro e ficou um tanto sonolenta. Teve uma hora que meus olhos baixaram e e minha cabeça caiu um pouco. Jurei que estava na minha casa. O mais engraçado é que justo no momento que minha cabeça baixou, com sono, começou a chover. Sentir a sensação de que não estava na faculdade foi mais fácil nesse momento.

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Meu trabalho era da cadeira de Tele I, e minha função nesse dia era passar uma parte da tarde  acompanhando um grupo de crianças e adolescentes que tem algum tipo de deficiência e que fazem educação física para ajudar na psicomotricidade (acho que escrevi certo). Fomos eu e um cinegrafista fazer as imagens e entrevistas. O que eu achei diferente foi que, na maioria das vezes, quando vemos (grande parte na tevê) esses grupos de ajuda, o que compõe a maioria são crianças com Down. Lá não. Grande parte era autista. Teve um menino que, acredito eu, tenha simpatizado comigo. Pelo menos foi o que os monitores disseram. Era autista e não falava, tentava então se comunicar comigo com gestos, e eu, meio sem saber o que fazer, tentei o mesmo. Ele estendeu a mão, eu retribui, e ele quase me puxou na água (a atividade daquela semana era na piscina). Me afastei pra não escorregar.

Feito isso, entrevistas e conversas e imagens, decidi me sentar numa daquelas poltronas azuis do prédio 6, poltronas gostosas pra se deitar e dormir. Tivesse vontade disso, mas me contive e comprei um café, pra ficar um pouco mais acordada. Puxei meu livro da mochila e comecei a ler. Tinha parado bem na parte que a personagem principal estava sonhando, delirando, achando que tudo fosse verdade. Acho que me deixei levar por essa aura de loucura e caí em sonolência. Fechei os olhos, mas lentamente, não queria admitir que queria de fato dormir. Pisquei cada vez mais devagar, e pronto, fechei os olhos de vez. Questão de segundos, talvez até menos, me transportei para longe, ou nem tanto, pensei por um momento que estivesse em casa. Olhos abertos, silêncio. Olhos fechados, barulho de chuva. Não, não poderia estar ainda no prédio 6. Já devia ter voltado pra casa. Acordei de súbito, como quem acorda de um susto, ou por se lembrar que tem algo de errado. E tinha. Eu não estava em casa, eu não estava num lugar ao longe. Continuava ali, no mesmo prédio 6, com minha mochila ao lado, no chão, e o livro no colo. O café estava na mesa.

Olhei a hora no meu velho celular e vi que já podia rumar ao prédio 11, esperar meus colegas para concluir meu trabalho (que, no final, acabou nem dando para terminar). Deixemos o resto para segunda.

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