Puxa uma cadeira e te senta, vou falar minhas dúvidas

25 de junho de 2012
Imagem daqui
Sempre tive a maior dificuldade do mundo para saber o que fazer da minha vida. Não que eu tenha parado muitas vezes para pensar “tá, o que faço?”. Acho que essas ideias vêm de uma forma meio natural. Mas também acho que nessa parte minha natureza falhou e não conseguiu se questionar direito isso – e o mais importante – achar uma resposta.

Claro, não há uma resposta certa. Você vai supondo aos poucos o que poderia ser legal para fazer da vida, baseado nos gostos pessoais, afinidades e habilidades. E foi mais ou menos desse jeito que eu decidi fazer Jornalismo. Nunca tive na cabeça aquele super propósito de vida como vejo em algumas pessoas que, por exemplo, querem fazer Medicina e estudam uma vida inteira se preparando para isso. Foi mais na base da adivinhação: “ah, deve ser legal”. Não é o que recomendo, deve-se ter uma base do curso antes de ingressar. Mas de qualquer forma já é algum caminho de carreira (ou não) que está sendo traçado, e foi exatamente o que fiz.

Quando entrei no curso, me senti meio acuada. Quase todo mundo já estava trabalhando na área, já sabia com quase toda certeza o ramo que queria seguir, já traçava metas para mais adiante. Eu, não. Eu estava lá para descobrir. Não sabia o que viria pela frente, se toda aquela magia apresentada no primeiro dia de aula realmente seria assim tão mágica. Queria descobrir esse novo mundo e também saber se é nele que me encaixava. Meus motivos por ter marcado xis na opção Jornalismo foram poucos. Gosto de ler, gosto de escrever (mesmo sabendo que nunca foi lá das melhores escritas), gosto de história. Lá no início eu tive vergonha de dizer que as únicas razões para estar lá eram estas, mas o que mais poderia responder?

Jornalismo é relatar, noticiar, lidar com a vida das pessoas, de certo modo interferindo. E tudo acontece de maneira tão rápida. E agora, que já estou no terceiro semestre, quase quarto, me questiono se é isso que pretendo fazer. Minha escrita não é veloz e nunca foi. Tenho grande dificuldade em fazer um texto com mais de 20 linhas (ou até menos) de pura realidade. Eu gosto, mas não gosto ao mesmo tempo.

Isso faz meu olho dar uma escapadela para o lado e observar o primo do Jornalismo: Publicidade e Propaganda. Ambos pertencentes ao curso de Comunicação Social, Publicidade é o que parece mais abrir espaço para a criatividade. É claro que para conseguir escrever um texto jornalístico também é necessário fazer uso da santa criatividade porque, sem ela, todo escrita ficaria incrivelmente chata e monótona, rígida. Mas ainda assim, tudo é real demais (bom, esse é o serviço que o Jornalismo presta), muito preso. E mesmo gostando dessas histórias da vida real, também gosto do que se inventa. Gosto das cores e formas, gosto do jeito que as coisas se dispõem. E Publicidade tem tudo isso. 

Não sei. Eu vivo reclamando que eu não sei o que quero, que chega a ficar chato. Gosto de Jornalismo, mas  ainda tenho minhas dúvidas quanto à profissão. Gosto de Publicidade e Propaganda, e pretendo mais adiante cursar. Essa é a verdade da coisa toda. Verdade que eu continuo colocando em dúvida toda vez que penso sobre isso. Ê laiá.

Da saudade do que se quebrou (e não tem como arrumar)

19 de junho de 2012
Isso é tudo que se enxerga agora. Triste, triste.
Só quando se perde alguma coisa é que se dá o devido valor. É, meus amigos, essa é uma verdade. Verdade que já deve ter sido escrita em algum lugar pelo Caio F Abreu, Clarice Lispector, ou algum escritor fracassado de Tumblr e que depois resolveu postar a mesma frase no Facebook.

Alguns dias atrás (talvez seja semanas, minha memória é péssima às vezes) meu pai quebrou minha câmera. Digital, mas uma câmera. Ruim, mas ainda uma câmera, e que tirava fotos, pra tu ver só. Ela, a dona câmera, já estava um tanto detonadinha, já havia caído um zilhão de vezes (ou mais) no chão, caindo de todas as maneiras possíveis. Já caiu de cima da mesa, de cima da estante, das minhas mãos (a maioria das vezes), de cima da escrivaninha do computador. Já caiu até na lama. Já tomou até banho de chuva. Mas ela, a danada, continuava intacta em seu interior, não se importando (tanto assim)  com as cicatrizes deixadas pelas quedas.

Porém, dessa vez, acredito que a queda tenha sido fatal. Já expliquei brevemente o que não tem muito o que explicar nesse post. A dona câmera, que em vida não teve a oportunidade de conhecer o mundo e poder registrá-lo através de seu olhar, caiu das mãos do meu pai enquanto descia do carro, e se desvencilhou de tal maneira que foi inevitável o chão. Pobre câmera. Bateu a cabeça, rachou, e desde então não enxerga mais nada além de vultos. Contatamos um médico especialista no assunto, mas sairia quase tão caro quanto substitui-la. O caso ainda está em estudo.

Fazia um bom tempinho que não pegava a câmera e saía fotografando. Ok, nunca fiz isso de verdade verdadeira, a única época que realmente saía toda feliz com a minha pobrinha câmera em mãos e via formas em potencial para serem fotografadas foi quando fiz a cadeira de Fotojornalismo. Porque, gostando ou não, eu teria que fotografar. Depois deixei de lado por perceber que o conjunto câmera mais ou menos com "fotógrafa" mais ou menos (mais pra menos) - leia euzinha - não dava muito certo.

Mas nesse meio tempo to sentindo vontade de pegar a câmera e sair fotografando mundo (bairro, jardim, parada de ônibus, faculdade) afora. E não tenho câmera. O que você faria? Eu tenho toda uma vida felina para registrar. Ter quatro gatos requer muitas fotos, de cada carinha fofa que eles fazem, de cada pose de dormir diferente que eles se propõem a fazer todos os dias. Como eu faço? E, talvez um caso que seja mais grave ainda: suponhamos que eu raspe metade do meu cabelo agora, e pinte a outra metade com um degradê de verde fungo com verde gosma. Como eu iria mostrar para meus amigos do Facebook e do Twitter que eu realmente fiz isso? Como eu iria atualizar as minhas fotos de perfil? Será que eles acreditariam se eu somente dissesse isso sem ilustrar? Não, o povo quer imagens. E imagens eu não tenho. Pense nisso antes de dormir.

Casa de vó

17 de junho de 2012
Gente mais velha tem esse costume de guardar coisas e manter tudo no mesmo lugar, deixando a casa feito um santuário onde ninguém toca. Não é por menos, a vida por si só é um acúmulo de tudo que se possa imaginar. E, entre essas coisas que a vida nos dá, há muitas manias, lembranças, objetos. Quem nunca entrou numa casa onde as paredes transmitem toda uma história de vida? Quadros, porta-retratos, lembrancinhas de viagem, móveis antigos.

Isso me faz lembrar da casa antiga dos meus avós maternos, já falecidos. Toda de madeira, completamente rústica, construída ao lado dum rio. Tinha uma escada que subia para o sótão (que ninguém podia entrar) e outra que descia para o porão. O sobrado tinha vários cômodos (para muitos filhos); o  fogão à lenha aquecia toda a casa e era o centro das atenções, junto do chimarrão. 

Meu avô (ou nonno, como eu sempre o chamava) ficava sentado numa cadeira conversando e minha avó (nonna) ficava geralmente na cozinha fazendo doces e tudo mais para o monte de netos que sempre estavam em volta. A mesa de jantar era realmente enorme, pra umas vinte pessoas no mínimo. Tinha o quadro de família na sala de estar, o relógio, um quadro da santa ceia.

Já faz alguns anos que eles faleceram, e agora raramente visito a casa que era deles, onde mora meu tio desde então. Somando ao fato de tudo já estar reformado e nada se assemelhando ao que era originalmente como na minha infância, há pouco coisa que me lembro da casa em si (os tais objetos, disposição dos cômodos). Mas o que eu me recordo muito, mas muito bem, é da hora que eu ia dormir. Era quase que mágico.

A casa é bem no interior do estado, na serra. Ou seja, a noite era realmente escura e o céu com certeza tinha mais estrelas que qualquer outro lugar. Como eu disse, fica do lado de um rio, bem pertinho mesmo; dava para ouvir nitidamente o barulhinho da água. Quando todo mundo desligava as luzes, não dava para enxergar nada, mas, se abrisse a janela, dava para ver os vaga-lumes que ficavam rondando as árvores. Quando finalmente me deitava, não tinha pensamento que me mantesse acordada, despertava só no outro dia de manhã, com o cheiro de comida.

A sensação de dormir naqueles quartos da casa dos meus avós e acordar era tão única. Tem vezes que estou dormindo, na minha cama mesmo, e acordo jurando que estava num daqueles quartos escuros. 

Uma coisa legal: The Listserve

13 de junho de 2012
Print do site

O que você diria para 1 milhão de pessoas? Se você tivesse a chance de falar, o que diria? É com esse questionamento que o The Listserve é feito, e ele dá essa oportunidade. Funciona mais ou menos assim: você inscreve seu e-mail no site e, a partir de então, você vai começar a receber e-mails de pessoas do mundo inteiro, quase todos os dias.

Mas porque essas pessoas mandam e-mail para você? Simples, foram sorteadas e tiveram a oportunidade de falar para "um milhão" de pessoas. O um milhão está em aspas porque na verdade não são tantas pessoas assim que estão inscritas, o número de pessoas é o que mostra no print, ou seja, se você for sorteado, mandará um e-mail para mais de 20 mil pessoas lerem!

Faz um tempinho já que venho recebendo esses e-mails, e é tão legal, porque acabo tendo a oportunidade de conhecer várias pessoas e lugares mesmo sem nunca ter saído daqui. Os assuntos são os mais variados possíveis: tem receita, tem história emocionada de infância, tem piada, tem gente apenas contando como foi seu dia. Todos os e-mails (ou cartas virtuais, porque não?) são em inglês, tornando a coisa mais unânime. Mas não tem muito problema nisso, até mesmo porque o inglês escrito é fácil, é aquele bem dia-a-dia. Mesmo quem só entende o basicão (como eu) consegue entender direitinho, é só ter um pouco mais de atenção. E dicionário e Google Tradutor tão aí pra isso, né. 


Todos os e-mails que recebi até hoje (ontem) eram em inglês, mas hoje, quando abri meu e-mail, vi um que era em português, e digo mais, era do Rio Grande do Sul (onde moro), e digo muito mais, era da minha cidade, Canoas. Coloquei o nome da pessoa no Facebook pra pesquisar, e tínhamos até amigos em comum. Eu não brinco quando digo que esse mundo é realmente muito pequeno.

O link pra maravilha toda é esse daqui, e se quiser se inscrever, é super fácil. Se desinscrever também (caso ache chato, sei lá). Como não podem ser colocados links, nem propagandas, nem imagens, não virão coisas do tipo "look my blog", "follow me on twitter", e essas coisas chatas. E depois é só torcer pra que um dia seja sorteado para ter voz pro mundo, pelo menos por um dia.

Aleatoriedades ramdômicas

9 de junho de 2012
Tem coisa que não rende um post inteiro, mas que mesmo assim se gostaria de escrever em algum canto. Twitter talvez fosse uma boa, é rápido, é curto, é instantâneo. Mas cai no esquecimento também instantaneamente e ninguém mais sabe o que foi falado no 2 minutes ago via web. É legal escrever pra guardar e reler, seja papel ou internet. Então é melhor falar tudo aqui, mesmo que cada coisa renda apenas um parágrafo.

Sobre o frio
Nem é inverno ainda e eu to aqui, com os dentes batendo e toda encolhida. A quantidade de roupa que eu to usando no momento é digna de ser usada no ápice do inverno daqui. Se me olho no espelho quase não enxergo Marina na minha frente, porque já perdi as formas humanas pra quem olha. Veja bem: estou com duas calças, umas três blusas, duas meias (sendo que uma vai até o joelho, daquelas bem coloridas de criança), cachecol e luvas. Ah, casaco também. Falando em roupas, para as de cama também não foi diminuído o exagero: umas três cobertas e dois gatinhos são necessários para me esquentar.

O pior de tudo é que minha casa é um horror de gelada, e não tem aquecimento interno e essas coisas boas que toda casa deveria ter pra ninguém morrer de frio. A cozinha é um lugar razoável, a sala também. Mas a garagem é o problema de tudo, porque ela é uma extensão de alguns dos pólos (acredito eu que seja do sul). E o "chato" é que a garagem se conecta com quase todos os cômodos, assim contaminando todo o resto com o gelo e tornando impossível de se viver. Ainda bem que os quartos são lugares sagrados e por isso quentinhos, sendo as camas as coisas mais quentinhas ever ♥. Pena que nem sempre dá pra ficar o dia todo debaixo das cobertas.

Sobre a câmera
Outro dia, meu pai conseguiu quebrar o vidro da minha câmera digital, como eu citei nesse post. Eu não tava junto na hora, mas meu papaizinho querido me contou que, quando estava saindo do carro, deixou a câmera escapar da mão. Conseguiu salvar na hora, mas depois a câmera escorregou das mãos novamente e   puf, de algum modo a porta do carro se fechou e de algum modo a câmera estava entre a porta e o carro. O resultado dessa distração é o vidro quebrado do visor e nenhuma foto recente para mais nada, pelo menos por enquanto.

Eu gosto de tirar foto, ou melhor, como dizia meu professor de fotojornalismo, "fotografar" (afinal, não tiramos a foto e sim registramos, fotografamos o momento). Como eu tava falando, eu gosto de fotografar, apesar da minha baita limitação de material e conhecimento. É o tipo de coisa que eu admiro e possivelmente teria como hobby.  Mas não curto tirar foto de mim mesma, por ene motivos. O principal é que eu não me acho fotogênica de nenhum modo, e nunca sei como posicionar a câmera e minha cara nela. Por isso, quase nunca tenho novas fotos de perfil. Uso sempre a mesma, em todos os lugares. Agora, sem a câmera, terei menos ainda.

Sobre meu caderno de anotações
Não sei se alguma vez eu já mencionei isso aqui, mas eu tenho um caderno de anotações que quase posso chamar de diário. Eu escrevo nele desde 2009 e vem sendo o melhor bloco de notas a partir de então. Não é nenhum Moleskine da vida, mas serve pra tudo. Desde anotações melosas pré-fim-do-mundo até anotações de aula. E é bom ter um lugar "fixo" pra guardar as coisas, sabe? Fica mais organizado e sempre se sabe onde encontrar o que se quer. Lá tem várias mini-listas feitas daquelas coisas legais que as pessoas falam e tu acaba também querendo saber, como livros, filmes, documentários etc, mas que tu sabe que não vai conseguir ver/ler em breve. Nisso um caderno (de preferência pequeno, como é o meu) é uma mão na roda pra essas coisas. Também é mega útil pra quem não tem o que fazer durante a aula entediante. Por exemplo, outro dia na aula super alegre fiquei desenhando nele, e saiu isso.

E, pra acabar o post, nada melhor que uma poesia de MSN:
cultivo um jardim no meu quarto
debaixo da cama
em cima da cama também!
Marina Ribacki, grande poetisa  do msn, só que não.
 

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