Casa de vó

17 de junho de 2012
Gente mais velha tem esse costume de guardar coisas e manter tudo no mesmo lugar, deixando a casa feito um santuário onde ninguém toca. Não é por menos, a vida por si só é um acúmulo de tudo que se possa imaginar. E, entre essas coisas que a vida nos dá, há muitas manias, lembranças, objetos. Quem nunca entrou numa casa onde as paredes transmitem toda uma história de vida? Quadros, porta-retratos, lembrancinhas de viagem, móveis antigos.

Isso me faz lembrar da casa antiga dos meus avós maternos, já falecidos. Toda de madeira, completamente rústica, construída ao lado dum rio. Tinha uma escada que subia para o sótão (que ninguém podia entrar) e outra que descia para o porão. O sobrado tinha vários cômodos (para muitos filhos); o  fogão à lenha aquecia toda a casa e era o centro das atenções, junto do chimarrão. 

Meu avô (ou nonno, como eu sempre o chamava) ficava sentado numa cadeira conversando e minha avó (nonna) ficava geralmente na cozinha fazendo doces e tudo mais para o monte de netos que sempre estavam em volta. A mesa de jantar era realmente enorme, pra umas vinte pessoas no mínimo. Tinha o quadro de família na sala de estar, o relógio, um quadro da santa ceia.

Já faz alguns anos que eles faleceram, e agora raramente visito a casa que era deles, onde mora meu tio desde então. Somando ao fato de tudo já estar reformado e nada se assemelhando ao que era originalmente como na minha infância, há pouco coisa que me lembro da casa em si (os tais objetos, disposição dos cômodos). Mas o que eu me recordo muito, mas muito bem, é da hora que eu ia dormir. Era quase que mágico.

A casa é bem no interior do estado, na serra. Ou seja, a noite era realmente escura e o céu com certeza tinha mais estrelas que qualquer outro lugar. Como eu disse, fica do lado de um rio, bem pertinho mesmo; dava para ouvir nitidamente o barulhinho da água. Quando todo mundo desligava as luzes, não dava para enxergar nada, mas, se abrisse a janela, dava para ver os vaga-lumes que ficavam rondando as árvores. Quando finalmente me deitava, não tinha pensamento que me mantesse acordada, despertava só no outro dia de manhã, com o cheiro de comida.

A sensação de dormir naqueles quartos da casa dos meus avós e acordar era tão única. Tem vezes que estou dormindo, na minha cama mesmo, e acordo jurando que estava num daqueles quartos escuros. 
  1. hum... sensação boa essa né, tambem adoro visita a casa dos meus velhinhos, apesar de gostar muito de morar na cidade grande nada se compara a os dias em que eu passei lá no interior.

    Beijos, Bruns

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  2. Ai que delícia... Eu já disse que estou encantada com o seu blog, né? Os seus textos passam uma tranquilidade... Beijão!!

    http://enxergandoalemdasaparencias.blogspot.com.br/

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