Acho que nasci para ser sozinha

26 de julho de 2012
AVISO: esse post pode conter alto teor de mimimi. Estão avisados.

Acho que nasci para ficar só e é disso que eu mais tenho medo. Um pouco de drama talvez esteja sendo acrescentado aqui, mas tem lá seu fundinho de verdade. Tudo isso porque minha vida amorosa, se é que posso chamar assim e se é que já tive uma de verdade, é um tanto confusa e, falando em números, é precária.

Mas falemos desde o início, de quando se é novinha demais a ponto de achar que vai encontrar o príncipe encantado na turma ao lado e que tudo vai começar com um “era uma vez...” e terminar, depois de um lindo beijo, obviamente, com um “felizes para sempre” (e o que está escrito entre aspas é narrado por algum locutor da Sessão da Tarde). Então, desde pequena nunca pensei em príncipes, em cavalos brancos, em primeiro beijo apaixonante a ponto de erguer a perninha e ficar na ponta do pé. Bem pelo contrário: tudo isso sempre passou longe da minha mente e tudo o que eu queria saber é como fazer uma casinha no meu pé de goiaba em frente de casa. Enquanto minhas colegas (e isso falo da quarta, quinta série) ficavam desperdiçando o tempo observando os meninos jogarem futebol, eu ficava lá fazendo educação física com o restinho de meninas que não estavam também preocupadas em ver meninos magrelos e todos suados sem camisa.

Logo após essa fase de menininhas verem menininhos jogando futebol e admirando o quão bonitos eles eram (só uma coisa: essas mesmas menininhas agora que cresceram tal como eu, vendo os menininhos como estão agora, certamente se arrependem de boa parte daqueles suspiros dados, só falando), veio a fase do primeiro beijo. Era ainda um tempo que nem todo mundo tinha computador e internet, e não tinha essas frescuras de Formspring ou Ask.FM, ou seja, questionários eram feitos na base do caderno e lápis mesmo.  “Você é bv?” era pergunta certa em todo e qualquer questionário que se respondesse. No início todo mundo respondia “sim”, mas aí com o tempinho as respostas foram se misturando e, quando vi, tinha mais gente que respondia “não” que “sim”. Ver essa transição das minhas colegas passando de meras crianças ranhentinhas para pré-adolescentes me fez pensar em algumas coisas: a) acho que nunca beijarei um menino b) eu sou magrela e feia c) minhas amigas todas já ficaram com alguém menos eu d) eu não me importo e) eu realmente não me importo.

E realmente não me importava. Não via necessidade alguma em adiantar as coisas. Se fosse para acontecer, que acontecesse. Eu é que não ia me dar o trabalho de ficar procurando motivos para suspirar.

Então lá pelos 14 anos eu finalmente beijei um menino. Mas foi numa festa, um beijo empurrado pelas gurias que me acompanhavam. Sem paixonite, sem grandes expectativas, sem nada que o fizesse memorável. Apenas um beijo, ou melhor, o ato de beijar, sem toda aquela aura romântica ou sedutora que o envolve. Depois disso vieram outros beijos, mas nenhum que me fizesse suspirar.

Não lembro direito a ordem das coisas, mas pelos 16 eu finalmente dei um sorriso por alguém. Me senti aliviada por isso provar que eu tinha um coração e que eu podia ser como todo mundo. O ruim é que eu sorri na frente de uma tela, e meu coraçãozinho estava batendo por um menino que estava a centenas de quilômetros daqui. No início não me importei, tava feliz só pelo fato de eu conseguir gostar de alguém, e ainda ser retribuída. Mas como nem tudo são flores e palavras digitadas bonitas, acabei ficando triste dessa vida à distância e me afastei. Tive minhas recaídas, mas acho que consegui superar isso.

Aí, na festa de despedida do meu terceiro ano, acabei ficando com um colega de aula que eu nunca tinha conversado direito. E não é que acabei gostando? Foi engraçado, porque eu queria conhecer coisas simples de uma pessoa que eu via todos os dias, mas que nunca tinha prestado atenção. O rolo durou pouco, nem virou namoro nem nada, mas gostei.

Nesse meio tempo entrei para a faculdade. Não conhecia ninguém, tudo era novo para mim, menos a eterna sensação de que eu ficaria encostada num canto alheia a tudo, só pelo fato de eu ser um pouco (muito) antissocial. Mas, para minha surpresa e sorte, acabei me enturmando super fácil. Num belo dia, alguém me adiciona no Orkut (SIM), e eu linda e bela fui verificar quem era. Não conhecia, mas aceitei porque nas fotos o menino era gatinho e porque estudava na mesma faculdade que eu. Depois, puxei um assunto nadavê com ele por scrap (!) e ele pediu msn. Trocamos msn como quem troca telefones no guardanapo de papel, e começamos a conversar. Conversa vai, conversa vem, ele me pede para que eu ligue a tevê, porque ele iria apresentar um programa, aí eu saberia quem ele era. Sim, ele trabalhava na tevê (mesmo que ruinzinha, era uma tevê), e fiquei sabendo quem era o meu futuro namorado assim.

Mais ou menos um mês depois a gente começou a namorar e tudo foi fofo. Principalmente da parte dele. Eu sou uma negação nessa coisa de ser/parecer fofa pelo fato de eu não ser nem um pouco meiga e essas coisas, mas o menino era fofo o suficiente por nós dois. O problema é que, assim como não sou meiga e não gosto de ficar grudada em cima das pessoas, também não gosto que exagerem na melosidade comigo. Gosto de abraços, mas também gosto de espaço, e aquilo tudo parecia me sufocar. Aí não aguentei e puf! Acabou.

Eu canso fácil das pessoas, e parece que elas também não me aguentam por muito tempo. Não reclamo muito disso porque de certa forma gosto de ficar sozinha, pelo menos por enquanto não me parece fazer muita falta um namorado, ou rolo, ou caso, ou seja lá que denominação seja. Acontece que eu não sei até quando vou aguentar ficar solita nessa vida, e fico pensando se realmente terei alguém para colocar minha escova de dente juntinho.

Mas chega de mimimi nessa vida e nesse post. Tenho meu gatinho que é o amor da minha vida e não me importa a opinião dele sobre isso. Ele me ama, eu sei.
  1. hahahhaha acredite, você não é a única alone nesse mundo a fora. Enquanto lia o seu texto só pensava que eu muito bem poderia ter escrito isso (se tivesse esse talento, é claro). sabia que você não está sozinha no sentido literal da palavra.

    beijos da sua nova fã tão forever alone quanto vc,
    luana

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  2. complicado é a pressão que ninguém quer sofrer mas todos fazem

    viva-se e deixe-se viver!

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  3. Olá Marina, tudo bem? Primeiro, queria dizer que o seu nome é lindo e se eu me chamasse Marina, não gostaria também que abreviassem para Mari. Existem muitas Mari's no mundo (nada contra elas, rs). Ma identifiquei demais com você, pela paixão por escrever e por fazer jornalismo. Agora, estou no 6º período e graças ao meu bom Deus não falta muito pra acabar.
    Sobre o texto, também adorei! Você se expressa lindamente. E eu já passei por isso tudo que você descreveu aí. Perdi meu bv aos 13 e fiquei traumatizada, pois achei que seria com um príncipe num cavalo branco, só que foi com um garoto que cheirava a cerveja em um show. Me apaixonei loucamente pelo meu primo aos 15 anos e ele me fez de palhaça. Meu primeiro amor! Sofri tanto... a minha vida amorosa tinha tudo pra não dar certo. Mas aos 17, conheci uma pessoa que mudaria a minha vida, dali pra frente. Depois de rolos e confusões começamos a namorar (eu tinha 19, a sua idade - eita, falando assim eu pareço uma velha! Eu tenho 20, tá?) e aí todo esse meu lado de desapego e meio frio deu espaço a uma boba que vive querendo ficar agarradinha. Eu sempre gostei de ficar sozinha assim como você, e ainda gosto. Mas se eu puder escolher, gosto de ficar sozinha ainda, mas com ele do meu lado. Bem, quem sabe aparecem novidades pra você, afinal, você ainda está nos 19, eu tenho um ano na sua frente :P
    Beijinhos.
    Ah sim, tô seguindo com certeza. Adorei aqui.

    www.hiperbolismos.blogspot.com

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  4. Adorei a postagem, bom me sinto muito como você, a verdade é que ninguém quer estar sozinha, mais mais cedo ou mais tarde alguém aparece.

    http://fazdecontatxt.blogpot.com.br

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  5. olá! primeiramente eu amei seu blog! é serio ♥ estou apaixonada! adorei também a forma de você escrever, e você faz jornalismo mais um motivo pra te amar, um dia se Deus quiser também estarei entrando na faculdade de jornalismo (que Deus queira tanto quanto eu por favor!)
    Bom falando sobre seu texto, eu não tenho muito a dizer porque tenho 15 anos e sou bem BEM BEM diferente das outras garotas, vamos lá eu ainda sou bv e não tenho nenhuma encanação com isso, não ligo pras minhas amgs já terem listas de duas folhas com garotos que elas já beijaram, realmente acho perda de tempo... Enfim.
    Acredito na realidade e acho que ainda não apareceu alguém certo pra você, afinal você so tem 19 né?! Mas quando aparecer, pelo pouco conhecimento de pessoas apaixonadas que eu adquiri acho que sua vontade de ficar sozinha vai passar.
    Bem, sua vida tá começando ainda né, e sinceramente vida amorosa é pros fracos, os fortes permanencem bem sozinhos (:
    (nada contra vcs que tem namorados e afins, apenas vcs são maduros o suficiente para aguentar e lidar com alguém o tempo todo ha!)
    escrevi uma biblia sos.
    Bem adorei de qualquer jeito!
    Beijokss, Lari! (:
    http://realidade-errada.blogspot.com/

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  6. Vish, foi vc mesmo que escreveu!? Pensei que fosse eu!? Hahaha
    Sou forever alone de carteirinha cara... mas ás vzes me bate um medinho de continuar assim pra sempre! =/
    E não tenho gatos pra me fazerem companhia...fuénnn fuuuuu.
    Ah, tem selinho pra vc lá no blog, hein! Vai lá ver!
    Bjuuu

    www.umtoquepravoce.blogspot.com

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  7. Marina, sabe que antigamente tinha
    esse receio, até porque quando
    eu tinha 18 anos, o sonho da minha
    vida era casar e ter filhos, construir
    minha família ♥
    Só que aí, rolou umas decepções no meio
    do caminho sabe...e hoje amo um romance
    em filmes e livros mas, sou totalmente
    do clube das desiludidas.com e mesmo
    assim me sinto feliz sendo solteira...
    As palavras relacionamento romântico me
    dão alergia HaHaHa

    BeijoO
    www.modiceseafins.com

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  8. Oi! Amei seu blog e ainda mais a maneira como escreve *-*
    Bom, eu fui muito parecida com você, enquanto minhas amigas estavam beijando, eu estava lendo, brincando.. Nunca liguei muito pra isso. Lógico, era triste pensar que ninguém poderia gostar de mim, sempre me senti a mais feia das amigas e tal. Chegou um tempo em que eu tive a certeza de que essa de gostar de alguém e ser correspondido, não era pra mim. Gostava de vários meninos, mas nenhum me dava bola, já tinha me costumado com isso, quando no segundo ano do ensino médio, comecei a gostar de um amigo meu que hoje é o meu namorado, isso há quase dois anos. Hoje eu entendo porquê não deu certo com os outros. Esse ano eu passei na faculdade e vim embora pra SP (nós dois somos do interior de SP). E hoje o que nos impede de ser mais feliz é essa distância. Mas eu tenho certeza de que logo estaremos pertinho novamente =) [eu contando minha vida amorosa pra você SHAUHSUASHUHS].
    Sei lá, não sei se existem pessoas certas ou erradas pra gente, mas eu sei que se tiver de ser, vai ser. E no tempo certo. Ou não, haha. Você deve ser uma pessoa maravilhosa, logo encontrará alguém, e tenho certeza que você nem vai se importar mais com "melação", haha, vai querer ficar agarradinha com ele, rs.
    Se cuida!
    Beijão!

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  9. Eu não gosto de pessoas! Eu me socializar com alguém é tão difícil quanto tu criar um blog, e dois dias depois ter muuuuuuuuuuuuuuuitos leitores - isso é menos impossível, eu acho. Mas eu acho que não nasci para ser sozinha - apesar do fato de eu ser até programada para andar sozinha, eu vou andando torto, meio em zigue-zague, e todo mundo reclama. Além de ficar cantando umas música nada a ver, e falar de blog. Uhuuu, acho que faço meio por gostar de ficar sozinha - pessoas, não se afastem de mim!

    http://virgulaassassina.blogspot.com.br/
    http://baitolisseanonima.blogspot.com.br/

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  10. Você não está só... Relaxe... Eu pensava que eu tinha problemas, contudo no meu da estrada da vida descobri que existe milhares iguais a mim (e a você, também...). Eu, inconscientemente, me importei a\o perceber que as minhas amigas já tinham namorados, e eu, simplesmente, não... Contudo, já havia tido muitos amores platônicos... Contudo, com o tempo, aprendi a ter paciência... E a pessoa que realmente me quiser, vai me entender por completo; tanto pessoalmente como nos meus textos...

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