Vou pra Porto Alegre, tchau (8)

20 de julho de 2012
Começo citando no título uma música do Kleiton e Kledir que nunca ouvi até o final para simplesmente dizer que fui para Porto Alegre hoje. Só sei as duas primeiras frases do refrão, mas quem se importa com essas peculiaridades, não é. Hoje fez um solzinho legal e o frio deu uma trégua (ainda continua tudo gelado, mas a situação tá menos pior, por assim dizer), então eu e minha irmã fomos bater perna na capital.

Bom, nós duas tínhamos a intenção de 

a) mandar arrumar a câmera, que já cansei de falar aqui que está quebrada; 
b) comprar uma bota para mim, porque só All Star não dá conta do recado. 

A primeira missão do dia era encontrar o endereço que papai havia desenhado num papel, e nisso obtivemos sucesso, mesmo que nossos sensos de direção sejam meio tortinhos de vez em quando. Acontece que para chegar ao lugar endereçado seria necessário subir uma escada estreita num beco. Essas coisas dão medo, sabia? Pra ser melhor ainda, a escada era circular (não sei se é assim que se chama), dava várias voltas nela mesma até chegar no bendito andar. Me lembro de já ter sonhado muitas vezes que eu descia e descia e descia uma escada dessas, mas que nunca conseguia chegar até o final. Ficava girando para baixo num looping eterno. Enfim, chegamos lá e pedimos o preço e achamos caro demais (a ressureição da falecida câmera não vale tanto assim).

O segundo desafio seria comprar ou pelo menos procurar por botas, mas tudo isso foi ofuscado quando vi “salgados R$ 1,25”. Como a garrafinha de água que eu tinha levado de casa já estava acabando (eu geralmente não tomo muita água, mas como hoje minha garganta tava meio ruim, bora tomar água para aliviar) e aquele preço parecia um tanto tentador, a gente foi lá conferir e saímos tri felizes com água e salgados.

Eu seguiria o caminho procurando por botas, mas isso foi novamente ofuscado, dessa vez por um cartaz numa papelaria onde tava escrito “LIVROS R$ 2,00”. Não me lembro se dei uma corridinha até a promoção nesse momento, mas devo ter feito, como todas as pessoas de bom senso fazem quando avistam algo escrito “PROMOÇÃO” (não adianta se fazer de fyna o dia todo, quando você avistar uma promoção imperdível, vai correr como se não houvesse amanhã. Assuma). Fiquei lá um tempão conferindo os títulos e infelizmente não tinha quase nada que me agradasse.

Acabei levando um livro de curiosidades de uma série que eu nunca tinha ouvido falar até então e outro sobre a origem da internet no Brasil. O primeiro só pela capa linda, o segundo mais por história mesmo, e porque era só dois pila né gente.

O que eu queria mesmo? Ah, sim, botas. E botas foi justamente o que eu não pensei quando vi a lojinha amada de artigos para artesanato. É o tipo de coisa que não se pensa duas vezes antes de entrar, é passagem obrigatória. E quando entrei me tornei a criança mais feliz do mundo enquanto passava os olhos (e as mãos) nas caixinhas de madeira, mas tintas que eu não sei a utilidade, nos tecidos fofos, nas pedrarias, nos recipientes de vidro que as bruxas más colocam suas poções. Sério, meus olhinhos brilham com essas coisinhas. Mas como não tinha dinheiro para gastar com essas coisas que eu não saberia qual finalidade dar, acabei dando meia volta e saindo.

Aí, quando eu já estava quase retomando o pensamento de comprar as botas, eu vi “xis salada R$ 4,00”. Tentei desviar o olhar, tentei olhar para alguma lojinha ao redor, mas foi em vão. Aquele preço, o jeito como o quatro ficava bonito junto da vírgula, me seduziu. Então eu, mesmo sem (muita) fome, me decidi a comprar aquele xis salada. Só que havia um porém nisso aí.

O preço lindão que eu tinha visto se encontrava dentro de uma praça de alimentação a céu aberto. Todas as barraquinhas eram iguais, todas as mesas, banners, tamanhos. A diferença se dava no vendedor e no nome do estabelecimento somente. Então como todo mundo era tão padronizado, o que faria a diferença seria o modo que cada um venderia seu peixe (o peixe é figurativo viu). E sabe como era o modo pra chamar a atenção do cliente? Assobiar, dizer que “aqui é melhor”, abanar, fazer “psiu, vemk!”, e qualquer coisa a mais que pudesse te deixar constrangido. Pelo menos foi assim que me senti.

Ok, sem muito drama, não me constrangi, por favor né. Me senti assediada (ui). Magina toda uma praça de alimentação chamando por você, abanando, piscando, e só não chamando pelo nome porque não sabem? É muito amor, dá até para ruborizar e ficar tímida. Mas esqueci tudo isso e fui firme e forte em direção a primeira banca que eu tinha posto os olhos. E mudei um pouco de direção quando vi que a banca do lado era R$ 3,50, mais suco. Pronto, ganhou meu coração. E saí de lá tri faceira com o xis e o suco.

E lá pelos finalmente, me lembrei que era para comprar a bota. Pra dizer a verdade até tinha entrado em algumas lojas, mas nada do que eu tinha visto me agradou. Então beleza, a gente volta pra casa e procura outro dia.
  1. Aqui em Salvador, existe um grande centro de compras (que em nada se assemelha a um shopping)no qual os vendedores recebem por comissão. E todos, literalmente TODOS, te puxam pela manga da camisa e GRITAM no seu ouvido, na esperança de que você entre. Deus do céu, mas será possível que ninguém percebe que isso só afasta a clientela? Um absurdo.
    Enfim, aproveita Porto Alegre, porque não existe coisa melhor na vida do que viajar. Abraços.

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  2. kkkkk. Eu devo morar uns 1000 km da minha capital Belo Horizonte! kkkk. Mas tudo bem! Porto Alegre, devo admitir deve ser fascinante, sério mesmo! Odeio passar nesses becos pequininhos, parece, que estou indo para a morte! kkkk ... Adorei seu post!

    Acesso Permitido.
    Projeto Discipulando.
    Ministério Tribus de Teatro.

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  3. kkkk, o texto me contagiou tanto,amei como você contou a história, super engraçado. Beijos.
    http://insideofmeeh.blogspot.com.br/

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  4. olha se ainda tem o cachorro quente do bigode no mercado público

    ou, melhor, mais pro fim da tarde, o cachorro do Rosário

    depois me conta!!

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  5. Marina, eu tô rindo muitoooo
    aqui, porque quando você
    falou do lanche me lembrei
    de um lugar aqui em minha cidade
    onde ficam umas mulheres dizendo:
    Quer lanchar jovem ???


    BeijoO
    www.modiceseafins.com

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  6. Ameyyy d+ o seu texto! Sério, muito tri :)
    Faz uma cara que não vou a PoA...bah, e engraçado que da ultima vez que fui era pra comprar uma bota e também não consegui kkkk (comprei uma jaqueta muito show hehe), sabe, eu não curto muito lanchar no centro...aquele cheiro do mercado publico me deixa com náuseas, não dá! rs

    bjãoo

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  7. Nossa que blogão ! Eu tô apaixonada pelos seus textos sério mesmo parabéns .
    Já estou seguindo pode me seguir ?
    http://sabrinasilvacardoso.blogspot.com.br/

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  8. Haha! Adorei o texto!
    Sinceramente, nunca fui a Porto Alegre, mas tenho muita vontade de conhecer!

    Beijos,
    Mundorosaachock.blogspot.com

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  9. Poxa, xis a 3,50 no centro de POA é bucha não??? Huahaua. E um xis depois de um pastel...

    Vale apena também perder uma tarde toda (se não o dia) em POA visitando os museus e igrejas antigas (MARGS, Santander, Gasometro, Matriz, Dores...). POA é muito bacana!!!

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  10. Boa viajem!
    Seguindo,segue?

    bjs

    good-times-blog.blogspot.com

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