A maldição da luz desligada

10 de agosto de 2012
Hoje*, quando cheguei da faculdade, pensei: vou dedicar meu tempo de noite para pesquisar, pensar e argumentar sobre o filme Cidadão Kane (que, aliás, é melhor revê-lo, e para isso não posso ter preguiça de baixar o clássico). Mas não dá, terei que escrever esse texto.

Então. Eu não gosto de fazer alarde de noite, como deixar todas as luzes ligadas ou ouvir música num tom relativamente alto. Prefiro ficar com a luz do note (ou celular, se for pra ler) e para ouvir o headphone. Isso tudo por dois motivos: 1) meus pais não gostam que a casa fique ~movimentada~ depois que todo mundo (menos eu) vai dormir 2) porque eu sempre acho que vou acordar a vizinhança, e isso me faz sentir uma vândala dentro da minha própria casa (isso me fez pensar uma coisa: se eu sou assim morando numa casa, onde tudo tem um espaço razoável para fazer barulho, imagine só se eu morasse em apartamento, tudo juntinho? Credo).

Como eu disse lá em cima, tinha determinado hoje o dia para pelo menos começar o meu trabalho. Como estava morrendo de fome, me aprumei para a cozinha com tudo o que tinha direito, para fingir direitinho que eu realmente faria algum trabalho: o note, o headphone, minha bolsa com meu caderno e minhas anotações. Tudo bonitinho em cima da mesa. Fiz o café para me manter acordada e comi umas bolachas Maria que tinha (só como isso quando estou doente, mas hoje a fome e a preguiça me deixaram abrir uma exceção).  Pesquisei algumas coisas, quase escrevi um parágrafo, mas cansei disso e me entreguei para o Twitter, um pouco para o Facebook, e muito para os meus gatinhos, que não saíam de cima do meu colo.

Mas esse não é o ponto. O que me fez abandonar a ideia de fazer meu trabalho para escrever um post é justamente o que está escrito no segundo parágrafo. Quando eu decidi que era melhor eu sair da cozinha e ir para o quarto, era porque não queria deixar luzes acesas pela casa. Senhorita Paola, a minha gata, se encontrava lindamente aninhada no meu colo, então, sem coragem de me desfazer dela, levantei da cadeira segurando minha bebezinha, e pretendia levar a minha xícara para a pia. Só pretendia, porque, ao me levantar, de algum modo a patinha da Paola ficou presa DENTRO da xícara (não sei como) ainda meio cheia com café já frio. Resultado: todo o café que eu havia esquecido de tomar agora se encontrava no chão. Não chorei o café derramado só porque já estava frio, mas teria se tivesse levado a minha xícara (tão bonitinha) junto.

Superado o transtorno de ter que limpar toda a nhaca que tinha ficado no chão, me vi organizando as coisas para levar para o quarto. Primeiro levaria o note entreaberto com o restinho do pacote de bolacha maria no meio, junto com o carregador e o headphone (e nisso também aproveitando a luzinha da tela para me guiar até o quarto sem tropeçar em nada, já que né, sempre mantenho as luzes desligadas e me recuso a ligar). Coloquei tudo nas minhas mãos – dessa vez sem a gata junto, aprendi a lição – e rumei quarto dentro. E sabe de uma coisa? Parece que no escuro eu esqueço como é cada pedaço da minha casa, porque sempre, SEMPRE, tropeço em alguma coisa que me faz ter algum roxo estranho na perna ou deixar algum dedinho do pé latejando. Como não poderia ser diferente, dei de cara com a porta do quarto e isso fez um estrondo legal o suficiente para imaginar uma sitcom de fundo, com direito a passarinhos girando em cima da minha cabeça.

Mesmo batendo com tudo na porta, segui firme e forte sem ligar a luz. Pra quê, né? Vamos preservar o meio ambiente, diminuir a conta de luz, não acordar os vizinhos. Afinal, se eu não sei andar na minha própria casa à noite, onde mais posso?

Bom, já tinha levado as minhas coisinhas para o quarto, agora era hora de voltar para a cozinha e desligar a luz, que tinha ficado para trás. Fui, pé por pé, com os olhinhos já acostumados à escuridão e assim já vendo possíveis estrondos e podendo evita-los. Fui lá, linda e bela, e desliguei a luz, deixando o que estava escuro mais escuro ainda. Os primeiros passos até foram tranquilos, mas, de alguma forma bem inexplicável, eu chutei um balde cheio de água, e isso foi mais escandaloso que bater na porta. Molhei todo o pé, todo o chão, e xinguei baixinho pra ninguém acordar, se é que já não tinham acordado depois disso.  Voltei para o quarto, e acho que tropecei em mais algumas coisas que estavam (e ainda estão) no chão, e agora estou aqui, escrevendo sobre isso. 

A minha teoria (preciso ainda formula-la melhor) é que os objetos ganham vida quando as luzes são desligadas e se movem para lugares estratégicos, a fim de serem pisados e lembrados. Sim, lembrados. Quem se lembra de uma porta durante o dia? E de um balde cheio de água? Eles, os objetos quase que esquecidos, só querem um pouco de amor e atenção, por isso buscam se divertir à noite pregando peças em seus donos.

Moral da história: antes de desligar as luzes para dormir, dê um abraço na quina da sua cama. Faça o mesmo com a porta e com todas as coisas que ficam entre o seu quarto e o banheiro (e a cozinha, caso seja um assaltante de geladeira). Depois disso torça para que tudo tenha se sentido amado o suficiente para não querer fazer amizade com seu joelho. Fica a dica.

*Escrevi esse texto hoje, porém foi durante a madrugada. Ou seja, tudo isso se refere ao que aconteceu ontem de noite. (:
  1. HuaHuaHuaHuaHuaHuaHua
    Abraçar a quina da cama foi ótimo,
    sinceramente, concordo plenamente
    com o a sua teoria =)

    BeijOo
    www.modiceseafins.com

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  2. Que história de brinquedos, o bagulho mesmo é o "Objetos story" kkk *-* Eu acho que evreci story errado, amis tudo bem ;] http://virgulaassassina.blogspot.com.br

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  3. Hahaha,concordo plenamente com sua teoria.Eu só faria uma correção:Eles mudam quando viramos as costas também,é a única explicação para minhas quedas até no claro(ou minha falta de habilidade com tudo que envolva equilíbrio,mas essa alternativa é constrangedora demais).
    Lindo design,tá de parabéns(de novo e de novo)
    Beeijos,
    Clara

    pe-quenosdetalhes.blogspot.com

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  4. desde que meu moletom esteja bem,eu fico tranquilo beijos =)

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  5. Obrigada pelo coment lá no PD,fico super feliz quando vc aparece ^^.Ah,acho que os seguidores apareceram assim pq já to na blogosfera a uns dois anos,ae é bem mais fácil ^^
    Obrigada por seguir^~
    Beeijos,
    Clara

    pe-quenosdetalhes.blogspot.com

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  6. Hahahahahha! Muito bom o texto, perfeito ^^
    Sou exatamente igual, mesmo no claro. Bato em tudo, faço barulho, uó!
    Desastrada made on ou são as coisas que mudam de lugar na hora errada?
    Vai saber...

    =)

    *Adorei o blog, ainda não conhecia. Obrigada por me seguir nas redes sociais!

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  7. Oi, orra muito lindo aqui. Namoral mesmo
    curti de maaaaaaaaaaais! Até vou seguir, rs
    pode seguir dnv? bjs
    http://ts-retisencias.blogspot.com.br/

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  8. HAHA EU SEMPRE SOUBE DISSO!
    A noite tudo ganha vida aqui na minha casa, serio! Ate o meus posters!
    Uma vez eu estava assistindo um filme de suspense, dai me deu sono e eu desliguei (sem assistir o final) dai comecei a olhar pro teto, parede, janela... E do nada o Di, do Nx Zero se mexeu O_O Eu ate dei um pulo da cama, e cocei os meus olhos para ter certeza que estava acordada, dai mexeu de novo O_O Serio, eu fiquei com um pouco de medo :B Dai eu peguei uma vassoura e cutuquei o poster e vi que era uma lagartixa DDDD: dai eu acordei todo mundo em casa pra matar ela, mas a minha mãe disse que não podia matar ela pq ela era "do bem" ou algo assim... Só sei que demorei pra dormir, já pensou a lagartixa vir na minha cama? DDDDD:

    Enfim, eu sempre madrugo, tipo: todo dia. Mas não sou muito de tropeçar nas coisas não, mais ate parece uma coisa: quando a minha mãe ta pra acordar e eu to indo dormir e vou no banheiro bem de fininho pra ela não saber que eu to acordada, eu tropeço em algo e faz mow barulhão sabe D: AI QUE ÓDIO!1! Com certeza, a sua teoria está certa! haha

    Manola, acredite eu já sabia que você sempre visitava aqui .-. Mas é que as vezes eu tenho tanta coisa pra fazer, e eu esqueço de visitar alguns blogs que eu vejo que sempre me visita mas não comenta sabe? D: Enfim, obrigada pelo comentário ♥

    http://rascunhosdasuuka.com/

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  9. concordo os ojetos ganham vida mesmo, agente encontra mil e coisas coisas mechendo e assustando agente rsrsrsrs
    http://kelly-club.blogspot.com.br/

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  10. hahahahahhaha
    To quase me mijando aqui. xD
    A minha irmã tá olhando pra mim como se eu estivesse doidinha da cabeça.
    kkkkkk
    Amei a história. Adoro os seus textos. Completamente perfeitos! xD

    Hayanne Deise Lins - Profissão Adolescente
    http://profissao-adolescente.blogspot.pt/

    Facebook * Twitter * Youtube

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  11. shuashuashuashua concordo totalmente com vc! Parece que as coisas aparecem na nossa frente do nada a noite...
    Menina, tu escreve muito bem viu? Li várias páginas do seu blog já e tô amando aqui!!!
    seguindo...

    Bjs
    srtaindependencia.blogspot.com

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  12. KKKKKKKKKKKKKKKKKKK muito verdade isso! É incrível como esses "seres" nos pregam peças, pelo amor de Deus!
    Eu sou campeã em tropeçar em tudo quanto é coisa, chutar quinas e tudo mais [ainda bem que não estou sozinha nessa, haha].
    E sou como você, gosto de tudo apagado, sei lá, é estranho saber que metade do mundo está dormindo, enquanto eu estou acordada. E quando é assim, qualquer mínimo barulhinho se torna um estrondo, não é? HAHA
    Adorei!
    A partir de hoje irei dedicar amor eterno às portas, quinas e outras coisas que possam pregar peças em mim, espero que eles me aceitem ^^
    Beijão!

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  13. Preciso admitir que deu risadas lendo isso! LOL
    Sabe eu não ando no escuro, sou alguém que tenta preservar o meio ambiente, mais so durante o dia, durante a noite não resisto em ligar a luz por todo lugar que eu passar, isso porque tenho aquele medo idiota de escuro, é. Até o mês de maio eu ainda dormia com um abajur aceso, não estava contribuindo para o mundo é claro, mais pelo menos me sentia segura, não sei de que tenho medo, não acredito em fantasmas, almas penadas, monstros e nem nada, mais me pedir para andar no escuro é quase o mesmo que me pedir para morrer. Lembro de alguns fatos interessantes sobre escuro, na minha viagem de formatura ano passado para um acampamento, fomos fazer uma atividade noturna, era uma versão "real" daquela jogo "resident evil" que eu nunca joguei porque não curto coisa violentas ou que tenham sangue, e sei lá o que, não deu muito certo a brincadeira, primeiro: dividiram os grupos e no meu so tinha uma pessoa que eu conhecia, já que no acampamento tinha gente de todo país, foi terrível, para piorar tinha uns 'monstros' para assustar e estragar o jogo, okay eu me assustei muito, numa outra ocasião a uns quatro anos atrás quando tinha ido pra esse acampamento mais na parte "infantil" tivemos um jogo desse e eu quase tive infartos aos 11 anos. é. triste.
    Mas sobre objetos ganharem vida a noite... Assisti toy story demais então concordo com sua teoria. haha
    beijão!

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  14. Gostei do seu blog não conhecia seguindo *---* kkkk concordo. Convido você a da uma passadinha no meu blog http://hrdamoda.blogspot.com.br/

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  15. Olá, adorei o seu blog, gostei do post. Seguindo queria . Poderia dar uma olhadinha no meu blog ? http://bolhaarosada.blogspot.com.br/ . Obg beijos

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  16. Bonjour!

    Eu estou encantada com seu blog. Admiro peculiaridade, e quando ela se mistura com inteligência, eu viro fã. Parabéns, querida!

    Thaís Lira, do Brasil Personalidades, da Starta, do Fábrica de Mulheres e do Ponto da Lira. rs

    Beijos e queijos!

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  17. Vixe a coisa fico preta kkkkkkkk, omg preciso pegar esses contos mt legal flor!!


    BEIJÃO, IANA PAULINHA
    http://ianapaulinhaaaa.blogspot.com.br/

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  18. Penso sinceramente que você deveria morar sozinha. E, de preferência, numa ilha deserta para fazer o barulho que lhe for conveniente.
    Eu tenho hábitos ~madrugais~ e o meu marido reclama para caramba. Com razão. Mas ele me conheceu assim e eu também tenho de suportar as manias dele, afinal.
    Abraços, vampira.

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  19. Kkk, também passo por essas madrugadas movimentadas. Realmente, sua teoria tem fundamento...rs.
    Att.,
    Luks

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