Das coisas que eu jurava ter talento - circo

11 de novembro de 2012
Quando criança, a visão que temos de mundo pode ser algo bem bizarro, tanto por falta de informação (quem lia ou via jornal quando tinha 5 anos? por favor né), como pela maravilhosa excessiva imaginação, fatores esses quais fui muito bem agraciada quando menor. Pensando nisso, resolvi fazer uma série de posts com os talentos que eu jurava ter, mas que não batiam nem um pouco com a realidade.

Circense
Eu sou uma admiradora à distância do circo. Isso pode soar estranho, mas é verdade. Não lembro uma vez de ter ido assistir algo relacionado a isso que não fosse na escola. Mesmo assim, sempre brilharam meus olhinhos perante a ideia de saltitar e pular e rolar e fazer coisas mil sem cair. Achava (e ainda acho) aquilo uma maravilha, que nada podia ser melhor (lembrando que, tudo o que eu sabia de circo, sempre vi através da tevê e afins). Aí olhava aquelas pessoas abrindo spacatto a metros de altura, como se não houvesse amanhã, aquela gente com roupa colorida e cara pintada, em cima de uma perna de pau, fazendo tudo aquilo. Ai, coisa mais linda.

Quando eu me colocava no lugar de algum deles, eu pensava que facilmente morreria se tentasse fazer qualquer manobra daquelas, ou que pelo menos ficaria com qualquer parte dentro de mim quebrada (não tinha muita noção de corpo humano e suas funções). Mas tinha uma coisa, uma coisa que eu pensava ser a menos dificultosa, talvez não tão brilhante quanto saltar por cima de quatrocentos elefantes encarreirados apenas com um impulso, mas que ainda fosse tão emocionante quanto.

Fitas. Fitas coloridas. Ah, como eu sempre amei aquilo. E era o que eu facilmente conseguia me imaginar. O que pode ser tão difícil em se dependurar em fitas? Eu já era uma macaca por natureza, que subia em qualquer árvore que via pela frente, o que seria de diferente uma fita se não uma árvore mais flexível e colorida?

Não que eu pensasse em realmente um dia bater na porta (do treiler) dum circo e dizer "ô moço, tem vaga feminina infantil pra corda? eu tiro boas notas e sou boa aluna, deeeixa, pufavô?", mas ficava pensando no "e se?". Mesmo assim, treinava do jeito que dava. E, aqui, respeitável público, apresento o meu lado B, a minha face pestinha que poucos conheciam: eu treinava com as cortinas do quarto dos meus pais (ainda bem que eles não leem meu blog). Eu era leve como pena, magricela como bicho-pau, a versão real da Olívia Palito. Não fazia a menor diferença ter aquele peso extra sobre a cortina, então subia até bater a cabeça no teto, e descia sempre de alguma maneira diferente. Usava a cortina como meio de transporte para subir até o topo do guarda roupa, onde eu me sentia rainha daquele lugar. Ou fazia algo à la Tarzan, já que naquela época havia duas camas no quarto deles (uma reserva pra eu e minha irmã, caso quisséssemos por algum motivo dormir lá), pulando de uma cama para outra. 

SIM, eu fazia isso. Todos os dias, quando meus pais não estavam presentes. E, enquanto eu me achava A guria do circo, também não tinha a menor noção de que estava em fase de crescimento e que aquela cortina, hora ou outra, não iria mais aguentar o meu peso pena e algum dia iria se partir. (E aconteceu isso, mas pus a culpa toda numa guria mais velha que eu que tinha aparecido lá em casa, justo naquele dia. Tadinha.)

  1. Nunca achei que tivesse algum talento - mentira.

    O meu talento é ser inteligente. Isso, hoje em dia, é um grande talento.

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  2. Posso falar? Fiz tecido por 4 anos. Eu amava e era muito boa. Acho que meu peso ajudava hahahaha Nunca aconteceu nada comigo mas,muita gente já machucou feio sabe?
    http://www.avidaemletras.com/

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  3. Que coisa mais querida isso! Quem nunca se imaginou no circo quando pequena? (eu, mas é porque fiquei com trauma de circo por muito tempo, apesar de me imaginar equilibrista, porém isso logo foi frustrado e refutado pela minha falta de equilíbrio)
    Mas quando eu era pequena, acreditava piamente que havia nascido pra ser bailarina e recusava a andar normalmente - só caminhava nas pontas dos pés, hahaha.
    Agora, que é fofo te imaginar pendurada em cortinas, isso é.

    Beijo!

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  4. Eu nunca gostei de circo. Admiro os que admiram essa arte circense, mas talvez eu nunca tenha gostado pelo fato de que circo sempre me lembrou ballet. E eu fiz ballet. E eu era péssima equilibrista.
    Logo sou uma completa atípica, avessa a essa paixão circense que muitos possuem. E, certamente, também não teria a menor habilidade para tanto.
    Abraços.

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  5. Quando somos pequenos tenho um paradigma de mundo perfeito , que muita das vezes nem é feito por falta de informação , mas por informações manipuladas, como aquelas histórias frajútas que os contos de fada tem de sobra.
    O Mundo ideal é uma utopia, que é alimentado pela imaginação fértil daqueles que ainda querem mudar o mundo .... odeio circo... sem mais.
    Nunca gostei, e nunca fui em um .... tenho aquele rancor de circo pelo que via na Tv, aquele bando de humano judiando dos bichos.
    Mas a arte circense é algo lindo. #SemMais.

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    Respostas
    1. Olha, Sarita, eu compartilho da opinião que criança tem que ser burrinha pra esse mundo que a gente vive pra poder inventar o próprio mundo. Criança tem que se sujar na terra e se encantar com uma história. Conto de fadas taí pra isso, haha.

      E judiação de bicho pra "alegrar" não rola. Mas nunca fui fã dessa parte, acho desnecessária na verdade. O que faz brilhar os meus olhinhos são as acrobacias mirabolantes. :D

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  6. Eu também já quis trabalhar com circo, mesmo não tendo talento para nada. Hoje em dia sei das dificuldades da vida na estrada, sei que algumas companhias não são nada legais para se trabalhar e que é uma vida perigosa. Sempre que vou ao circo, desejo tudo de bom para os artistas que encontro por lá. E sempre choro de emoção. Ah, e já me dependurei em cortinas também.

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  7. Marina, meu sonho sempre foi ser astronauta. Eu via aquilo na TV e me encantava muito... o mais perto que cheguei perto do circo foi fazer balé (que não tem lá muito a ver, mas você entendeu), mas quando eu era pequena, era o hobby da minha mãe, levar eu e meu irmão mais novo para o circo. Eu gostava muito de ver.
    Beijinhos

    hiperbolismos.blogspot.com

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  8. Sempre achava que era MUITO fácil se pendurar em fitas, sério! Mas um dia fui tentar (mas não em uma cortina, mas em uma fita mesmo que tinha na minha escola) e percebi que era mais fácil eu ter o papel de, sei lá, mulher barbada no circo do que me pendurar nessas fitas.
    Gostei muito do seu texto! Como sempre, né? Você acertou em cheio em fazer jornalismo. Adoro o jeito que você escreve.
    Por esse motivo, seu blog é um dos meus favoritos *-*

    Beijo
    Mariana | Sem querer me intrometer

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  9. Tem fazes que achamos capazes de tudo, não é mesmo? Você fez o melhor, aproveitou esses momentos, só não levou a bronca devida...rs., coitada da meninda mais velha...kkk.
    Att.,
    Luks

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  10. OIN! Que texto mais nostálgico velho *o*
    Eu também só conhecia o circo, até pouco tempo atras, apenas pela TV e confesso que também ficava me imaginando *-* Eu sempre quis ser trapezista, daquelas que vestem roupas estilo bailarina e que fica "voando" no ar... Ai, que saudades daquela ingenuidade que eu tinha, na boa T.T
    Eu tenho que confessar que a minha infância não foi muito radical sabe e_e Eu sempre fui medroza, tinha medo ate de subir nas arvores :B A unica coisa que eu "subia" e ficava me achando e nas portas sabe? Eu não sei explicar, então olha essa imagem que vc vai entender: http://limitando.files.wordpress.com/2011/10/304026_176382179113922_100002264248253_370140_607267140_n1.jpg?w=614

    UHASHUSAUHSAHUSASHUUHSAHUSA

    Enfim, adoro teus posts Mari! bjbj

    http://rascunhosdasuuka.com

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  11. Oi, Marina. Nossa, muito legal o seu blog. Não conhecia, mas vi o link no Amigo Secreto do blog Spleen Juice e resolvi conferir (ainda bem!). Curti muito o design e o seu jeito de escrever. Sempre gostei de circos e ia em todos quando era pequena, já que a maioria era montada perto da minha casa. O meu número preferido era o dos trapezistas; me imaginava lá sendo jogada ao ar livre e depois quebrando tudo, inclusive o cabelo (?). Faço teatro e no mesmo local tem aula de tecidos. Sempre que não tem ninguém por perto eu fico tentando subir e balançar neles, mas é mais complicado do que parece.
    Parabéns pelo blog.

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  12. Oi, amei o post, adoro quando fala sobre esse tema. e estou aproveitando para vim ajudar na divulgação do meu blog, o blog JunhiimCe. Quem quiser seguir eu sigo de volta, comenta dizendo que seguiu. Ele fala sobre tudo, música, dança, novidades, Iphone, maquiagem, roupas, unhas, cabelo, look. Então vocês leitoras e leitores desse blog, de poder entrar no meu blog, conheça ele e se gostar pode seguir. Entre e veja se você gosta.

    Link: www.junhiimce.blogspot.com

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