Sobre livros compartilhados e cachorros assassinos

14 de maio de 2015
Eu tenho essa preguiça que dá de tempos em tempos de folhear qualquer coisa e me por de fato à leitura. Já estamos no mês cinco e há somente quatro livros lidos na minha lista. Pouco, né? Morro de inveja desse povo ávido leitor que come dezenas de livros de uma só vez como se fosse apenas meia dúzia de páginas. Enfim, cada qual em seu ritmo. Peguei para ler um exemplar bem velhinho de uma coleção que possui o Viagem Ao Centro Da Terra, de Júlio Verne. Já estou na página 96 e nele achei um trecho maravilhoso que resume bem o que penso sobre livros:

— [...] Nesta ilha gelada acha-se vulgarizadíssimo o gosto pela leitura! Não há lavrador ou pescador que não saiba ler e não leia. Entendemos que os livros, em vez de criarem bolor nos armários, ao abrigo de olhares curiosos, são destinados a estar ao alcance dos leitores. Por isso os volumes andam de mão em mão, folgados, lidos e relidos; muitas vezes só voltam à biblioteca depois de viajarem um ano ou dois. (Pág. 58)

Comprar livro é maravilhoso, poder montar uma estante com os favoritos é melhor ainda. Mas acredito que livro tem vida e precisa circular. Melhor solução para isso é emprestar sem pena, sem aquele sentimento de apego ao material. Afinal, muito mais que papel, livro é história, sentimento, sensação e lazer. Tenho só um livro que dificilmente emprestaria pelo fato de ser pouco mais frágil que de costume mas, do pouco resto que possuo, vão e vem toda hora e se pedirem empresto novamente. Se a pessoa não tem um histórico de destruição, porque não, né? Vamos distribuir amor em forma de livros, galera.



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Ainda sobre livros: no ônibus tinha essa menininha, com tipo uns 8 anos, sentada do meu lado. Eu, meio sonolenta e pendendo para a janela, seguia lendo Viagem ao Centro da Terra. Tava bem bom de ler, mas o sono venceu e revirei os olhinhos sem querer (acho incrível que os melhores sonhos acontecem nessas frações de tempo que a gente dorme sem pretender; parecem horas sonhando quando na verdade só segundos se passaram e mesmo assim dá tempo de ficar perdida e se perguntar "onde estou, quem sou eu, para onde estou indo?"). Acordo do nada e vejo a menina do lado toda concentrada na leitura do exemplar que eu segurava na mão. Achei isso tão fofo que fiz de conta que nem percebi e voltei a dormir. Queria que todas as pessoas de quem espio a leitura também me deixassem ler mais um pouquinho. :P

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Se na ida de ônibus fui feliz, a recepção da volta foi um tanto... desastrosa. Mas preciso contextualizar: tenho pavor de cachorros. Não é fobia, acho fofo (de longe), faço até carinho se pedir, mas na minha cabeça de jerico todo cachorrinho é um potencial assassino (dsclp humanidade. larguem as pedras da mão faz favor). Fui mordida duas vezes quando pequena e até hoje sempre acho que qualquer cachorro, por mais pequeno e distante que for, pode, sei lá, arrancar minha perna.

Desci então do ônibus na esquina como sempre, caminhei em direção a minha casa e alguns metros à frente vi o cachorro do vizinho latindo para mim. Geralmente cumprimento o bichinho, aquele tipo de small talk de elevador aplicado a um cão - sabe, tentar estabelecer uma relação para o cachorro não me matar -  mas, a medida que me aproximava, o latido subia mais um tom e aquilo começou a me desesperar. Queria pegar o celular pra ligar pra casa e assim meu pai me buscar na frente do portão (eu estava a dois metros do portão) porém a cada movimento o cachorrinho agora nada simpático rosnava e se inclinava pra frente como se fosse me morder a qualquer minuto. Nesse momento, toda imobilizada e já me cagando de medo, comecei a berrar aos quatro ventos um PAAAIÊÊÊ (nota: já era dez e meia da noite) e mesmo assim nada do cachorro recuar nem do meu pai aparecer. Sempre ouvi que correr de um cachorro é mil vezes pior porque aí sim que ele ataca, mas tudo o que eu queria ali era baixar o The Flash em mim e sair daquela situação. Depois de muito tempo desse impasse de vai-ou-fica-ou-morre, o amável cachorrinho se distraiu com meu gatinho que passava perto e assim o dia foi salvo. Pude correr, me jogar no sofá e agradecer por mais um dia vivona nesse mundo. Amém.
  1. UHAHUAHUHAUh adorei o relato do cachorro! Minha mãe é assim também, morre de medo porque já foi atacada. Dependendo do tamanho tenho medo também. Acostumei com gato então acabo ficando meio sem jeito sabe? E também não consigo ler muito não, em casa acabo dormindo e só leio quando saio ou viajo, por isso nem arrisco esses desafios :( Beijo <3 <3

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  2. Bonito isso do livro ter vida. Concordo e empresto os meus também. Mas desde que me devolvam, não sou assim tão desapegada (preciso aprender a ser mais). rs...

    E eu poderia ser essa menina no ônibus, vivo querendo saber o que as pessoas estão lendo e tentando espiar um pouquinho. <3

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  3. Não vejo problema em emprestar meus livros contanto que eles voltem pra mim um dia, haha. E que voltem inteiros, de preferência. Tenho alguns exemplares que evito emprestar por terem uma história mais sentimental envolvida, mas os outros não vejo problema em compartilhar com o medo - mesmo que eu fique realmente contente em olhar todos eles alinhados na minha prateleira, rs.

    Gente, que fofa a garotinha do ônibus! ♥

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  4. Eu sou um pouco traumatizada com essa coisa de emprestar livros. Não só livros, mas dvds também. Eu sempre empresto e volta amassado, rabiscado ou arranhado. Uma vez uma amiga minha simplesmente deixou a prima desenhar de canetinha no meu livro inteiro e nem se deu o trabalho de olhar antes de me entregar. Não aguentei né, eu tive que falar. E aí ela comprou outro e me deu. Mas não é a mesma coisa você ganhar um novo, pelo menos não para mim. :( HAHA Mas ainda assim eu empresto, porque né, não consigo dizer não. Achei fofo a menina lendo, que amor. Ainda mais hoje em dia que ver uma criança interessada por um livro é tão difícil. Ah e eu tinha muito medo de cachorro, que nem você! Mas depois de adotar uma vira lata que apareceu no meu portão, acabei perdendo um pouco. Mas não confio também, sempre acho que eles podem surtar ou sei lá. HAHA
    Beijos!

    www.fernandamrgd.com

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  5. Os cachorros sentem o medo, e isso também os assusta, rs. Espero que um dia sua experiência com cachorros sejam boas, porque eles são sensacionais.
    Eu tenho ciúmes de alguns livros, algumas edições especiais, e outras de sebo que são bem antigas e frágeis. Você cuida de um exemplar como se fosse um filho, e empresta pra alguém que não tem o menor cuidado ou que não irá devolver... não gosto dessa ideia. Mas cada vez mais, aos poucos, to entendendo e adotando essa mania de compartilhamento de coisas e serviços. E acho que ler é uma coisa que requer tempo pra digerir, não acho que essas pessoas que leem 6 livros ou mais por mês, consiga absorver tudo! Impossível. O máximo que eu lia era 1 por semana, acho que uma semana é um tempo bem ok pra se manter envolvida num livro, mas dependendo do tamanho e complexidade dele, eu me permitia duas semanas de envolvimento, ou mais :)

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  6. Meu Deus! Posso te informar que o seu blog e sua pessoa entrou para o meu coração? Há tempos não leio textos assim, parece aqueles os contos que eu leio nos meus livros de contos haha! *--*
    Mas enfim, eu morro de egoismo com meus livros, só empresto eles para algumas pessoas. Egoismo, porque piro só de pensar que alguém sem coração vai ler o meu livro fav
    orito, descobrir minhas frases preferidas, meu shipp, pensamentos só meu e enfim... algo meio doido.
    Sobre cachorros, espero que eles sejam amigaveis com você um dia.
    Parabéns, e continue com o blog pra sempre? okay?
    Bjooos <3

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